Recentemente, alguns tem falado bastante sobre um Drive-Thru da oração que a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) abriu no templo da Vila Mariana. Um dos primeiros a noticiar isso, Marcelo Del Debbio, disse que também pode ser feito o pagamento de uma contribuição para a IURD. Não confirmo a veracidade sobre esta parte do dízimo, mas particularmente não vejo problema nisso. Cabe aos fiéis manterem suas respectivas igrejas com os donativos que acharem necessário. Contudo, há um limite para tudo.
No vídeo acima, o igreja Canção Nova pede o ouro dos fiéis para a construção de um templo. Veja um trecho do site da igreja que reforça este pedido:
“Não, o Centro de Evangelização não está pronto ainda. Podemos dizer que ele está em condição de uso. Hoje ainda o som é alugado, a iluminação é alugada, o sistema de TV é alugado, que são coisas que nós precisaremos ter fixas neste ambiente. Então você que doou o seu ouro na construção da alvenaria, da parte metálica, da parte elétrica... a campanha não acabou. Você que tem aí um pedaço de dente, de pulseira, uma aliança, uma corrente... seja o que for, talvez isso tudo servirá para você muito pouco. Você vai fazer muito pouco com isso, mas tudo isso junto aqui nós podemos mudar a vida de muita gente. Então manda para cá esse ouro.”
Talvez você se ache suficientemente centrado para não sucumbir ante tamanho atrevimento de pedir o dente dos mortos, a aliança do falecido marido, a corrente da sua formatura que tanto custou a sair, etc. Talvez você saiba que a jóia, nestes casos, representam mais do que apenas um valor monetário. Carregam um sentimentalismo irrecuperável. Trazem consigo as memórias, saudades e emoções que nos tornaram as pessoas que somos hoje, construíram a história de nossas vidas. Mas nem todos são dotados deste bom senso. E as pessoas. E se desesperam. E tentam recuperar. Mas aí pode ser tarde. Vejamos alguns exemplos:
A cabeleireira Simone Vitório, do interior de São Paulo, diz que sempre deu o que pôde para a igreja. Em uma campanha de arrecadação, chamada "Fogueira Santa de Israel", ela diz ter perdido o controle, pressionada pelo discurso do pastor. Simone conta que entregou as economias de R$ 3 mil depois de um acordo com o pastor. Hoje está na justiça para reaver o dinheiro.
Durante nove anos, a costureira Maria Pinho fez várias doações à Universal. Chegou a dar para a igreja o apartamento em que morava, no centro de São Paulo. "De repente eu me vi na rua, que eu não tinha nem o que comer. Eu ia no mercado, tinha aquelas moças fazendo demonstração, e ali, aquele pouquinho que eu provava, era meu almoço."
O aposentado Edson Luiz de Melo, de Belo Horizonte (MG), que tem doença psiquiátrica, também narra a pressão por parte dos pastores. "Eles falaram o seguinte. Que para gente ser abençoado tinha que dar, tinha que dar dinheiro. Isso é de acordo com a sua fé. “ A mãe dele, Dulce de Melo, entrou na Justiça para reaver parte do que o filho doou. "Ele não tirava dinheiro pra comprar uma bala, então o dinheiro era todo lá pra igreja. A gota d'água foi quando ele começou a dar vale-transporte, tíquete-refeição e andar a pé." Ele diz ter dado cerca de R$ 60 mil em doações e recebeu, em recompensa, um diploma de colaborador, assinado pelo "Senhor Jesus Cristo".
É contra este tipo de exploração que lutamos. Não pelo fiel, necessariamente, que talvez precise perder tudo antes de entender que religião não alimenta e nem paga contas. Mas pelos clérigos estelionatários de qualquer igreja que abusam destas pessoas ingênuas para enriquecer, alienar e controlar até mesmo os rumos dos governos locais. Porque quando eles fizerem isso, aí tanto eu quanto você, que não temos nada a ver, seremos afetados. Apenas para exemplificar, na Alemanha existe um imposto recolhido pelo governo para os que se declaram católicos.
Para a Canção Nova, IURD e todas as neopentecostais que oram mediante pagamento antecipado, meus mais profundos sentimentos de repulsa e estejam certos que aqui está um arquiinimigo. Aos que pagam pelas “graças” que pretendem alcançar, recomendo a leitura de textos de pessoas ponderadas (geralmente, não são religiosos) para que vocês entendam que ela depende muito mais do seu empenho do que de qualquer força misteriosa que tenha por aí, qualquer seja o nome que você dê a ela.



