Por que este blog continua?

10/02/2010

Às vezes me pergunto por que continuo a escrever neste blog. Peco por omissão no mundo dos blogueiros. Eu não faço políticas, amizades ou contatos de forma a conseguir uma rede de apoio e divulgação. A blogosfera é dominada por um pequeno grupo de blogueiros (uns bons, outros nem tanto e outros péssimos) que trocam figurinhas entre si e estão sempre fazendo propaganda uns dos outros. Nascem blogs, modificam-se blogs e lá estão sempre os nomes de sempre. Isso não é de todo ruim, visto que há muito amadorismo e trabalhos de péssimo gosto fora desta “cúpula”.

A popularidade deste blog é baixa porque não é redigido para os outros e, sendo assim, não posso esperar que as pessoas gostem ou tenham paciência e tempo para ler o que aqui escrevo. Às vezes, contudo, me decepciona ver dezenas de comentários em blogs famosos em posts que às vezes tem uma linha ou apenas uma imagem. Friso, contudo, que não é a quantidade de comentários ou minha exposição na internet que me mantém a escrever. Este missivista não sofre de carências de atenção.

Ainda assim, me lembro de um caso que me deixou francamente desanimado. Um ladrão de quinta categoria abriu um processo contra o ínclito ministro do STF, Joaquim Barbosa. O G1 publicou a matéria sem citar este detalhe do requerente ser um ladrão condenado e preso, claramente tentando manchar a imagem do magistrado. Fui atrás de todos os dados do bandido. Fiz uma ficha completa, tracei toda a história, citei as fontes, escrevi um texto curto, conciso, preciso, esclarecedor. Publiquei. Só que uns 10 minutos antes, coincidentemente, outro blogueiro publicou acerca do mesmo tema só que ele não citou fontes, escreveu de forma desleixada (com gírias, abreviações, etc), não descobriu tudo o que eu descobri e revelei no meu post, enfim, fez um trabalho porco. Em poucos minutos choveram comentários no blog dele e seu condenável trabalho dissertativo foi parar nos links de grandes blogs sobre política. E ainda entraram depois no MEU blog para dizer que eu estava plagiando aquele lixo textual. Fui insultado duas vezes numa tacada só.

Então, por que continuar a escrever? Por que não se juntar a outros grandes blogs? Bom, se juntar a outros blogs é complicado. São panelinhas difíceis de entrar. Grupos seletos de amigos (muitas vezes pessoais) ou, ainda, pessoas de um orgulho tão sensível que não permitiriam que outros usassem de sua audiência para escrever (às vezes melhor) algo no blog dele.

Mas certa vez me lembrei do porquê continuo escrevendo. Lembro que precisei de algumas informações sobre malefícios do cigarro. Pelo menos até a data em que fiz a pesquisa, não encontrei nenhum lugar com tanta informação compilada como no meu blog. Outro momento foi sobre bolsa de valores. Num outro foi sobre a origem do deus dos cananeus que influenciou o deus dos judeus. Não havia texto sintético sobre o tema melhor do que no meu blog. Gripe suína? Muita informação boa solta por aí, mas tudo fundido num único post do meu blog. Ateísmo? Há excelentes blogs por aí, mas há toneladas de lixo de “ateístas-crentes” que mais parecem pastores de uma ideologia do que simplesmente alguém isento delas. Teoria da evolução? Precisei de exemplos e achei vários no meu blog!

Além do mais, exceto por comentários caluniosos, este blog está aberto a toda e qualquer crítica. Não deleto NENHUM comentário que seja minimamente respeitoso. Sequer há aprovação: comentou, apareceu. Faço isso de modo a conhecer mais pontos de vista. Em compensação, lembro-me de vários comentários que já fiz em sites esotéricos, religiosos ou políticos que não foram aprovados ou que foram deletados, mesmo que eu tenha tido todo o cuidado de ser respeitoso ao redigi-los.

Então para que continuar escrevendo? Há excelentes sites blogosfera afora. Aqueles tocados pelo Kentaro Mori (ceticismo), Cardoso (tecnologia), por um amigo meu que também faz um excelente trabalho sobre filosofia e cinema (Evandro Venâncio), há ainda o Bule Voador (ateísmo), enfim, há sim sites muito bons e de grande audiência. Para este blog aqui, sobram navegantes desavisados da internet que por ventura venham a se afeiçoar com os temas e teses aqui expostos.

Sigo escrevendo, pois, concluo que o trabalho e os textos aqui expostos são de qualidade, no mínimo, igual àqueles que formam a elite “intelectual” da blogosfera, embora estejam longe dos holofotes. Além disso, aqui se desenvolve um diário de anotações e ideias e, no futuro, poderei eu mesmo confrontá-las ou reafirmá-las. Lembro, por exemplo, de ter falado que o planeta não precisa mais de “crescimento” sustentável e, sim, de “desenvolvimento” sustentável. Recentemente, um eminente cientista falou exatamente a mesmíssima coisa e hoje posso confrontar minhas ideias do passado e perceber que estou indo no caminho certo.

E por que é importante pensar e criticar sobre o mundo? Por que eu quero apreciá-lo da melhor maneira e isso não se consegue com a ignorância. Quero ainda ser um elemento transformador, para melhor, da sociedade e isso só se consegue com muito estudo, com muito debate, com muita reflexão e conhecimento. Um jeito que encontrei de fazer tudo isso é me forçar a escrever (bem) sobre determinados temas. Requer de mim pesquisa, estudo, conhecimento e humildade, principalmente. Este blog segue, então, como catalisador intelectual pessoal. Oxalá também sirva como tal para os navegantes desta imensidão que é a internet.