Povo apóia e defende a corrupção no Brasil

09/12/2009

Há algo de muito podre na política brasileira. O sistema político e jurídico do país foi feito pelos políticos para eles próprios e ninguém mais. Vejamos o absurdo que está ocorrendo no Distrito Federal. Um governador corrupto cobra (ou recebe) dinheiro de empresas fornecedoras. Em troca, ele continua contratando-as para realizar serviços. Esse dinheiro é distribuído para seus aliados (secretários e deputados estaduais). Assim, ele mantém um círculo de “escudeiros” fiéis para tocar sua política espúria.

Foram abertos diversos pedidos de impeachment do governador. Advinha quem irão julgar os pedidos? Os deputados. Sim, os beneficiários do esquema. Mais ainda: os acusados no processo de investigação. O criminoso aqui vira o próprio juiz e fica por isso mesmo. Pior é que, na maior cara-de-pau, o corrupto governador tenta manobrar para colocar seus aliados de volta na Câmara dos deputados estatuais! Entendam, o problema no Brasil é a impunidade. Não basta cassar o político e seus direitos por alguns anos. É necessário prender, colocar na cadeia, em regime fechado esse tipo de gente. Pois são os bandidos da pior espécie. Eles roubam com elegância, eles maquinam, eles preparam minuciosamente seus assaltos. São bandidos que odeiam o Brasil, matariam o próximo em benefício próprio e não pensariam duas vezes em passar a perna em quem quer que seja para alcançar seus maquiavélicos objetivos.

E o caso do DF é apenas um dos casos que foi descoberto. Com certeza há outros tantos que estão ocorrendo por aí e ninguém está sabendo. Tem ainda o Mensalão do PT, que até hoje “ficou por isso mesmo”. Para ter ideia, quando o DEM anunciou que pretendia expulsar Arruda do partido, este simplesmente falou que ia “contar os podres” de muita gente ali. Resultado? A cúpula do partido, que de fora deve se assemelhar àqueles bolores que dão em madeira podre, resolveu se reunir para decidir se realmente ia fazer isso. Eles recuaram mediante a ameaça de terem seus crimes revelados. O ato foi como assinar um atestado de improbidade, de culpa. Uns dizem que precisamos de uma reforma política. Pois não adianta mudar o sistema, porque quem manda nele são sempre os mesmos. Precisamos de uma reforma moral, pois, a política é feita por homens e enquanto esses homens pensarem apenas em si próprios, nós não evoluiremos.

O mais incrível é que José Arruda renunciou ao seu mandato de senador quando ficaram sabendo que ele mentiu sobre as alegações de que havia violado o sigilo do painel de votações do Senado. Ainda assim, foi eleito. O povo do DF tem exatamente, então, o governador que merece. Logo, acho que não deveriam cassá-lo. O povo do DF não merece ser salvo. Aliás, há ainda quem o defenda. E entre esses há, inclusive, policiais e bombeiros. Ora, a corrupção aqui é até defendida! Como vamos combater algo que as pessoas não apenas aceitam, mas também defendem?

Muitos dizem que “ele está fazendo obras”, está sendo um “bom governador”. Bom político precisa estar sempre fazendo política: acordos, conchavos, derrubar inimigos, enganar os outros, convencê-los de sua verdade particular. Mas isso não o autoriza a roubar o povo que ele representa e para quem trabalha. Um governante deve fazer o que lhe compete. Mas com certeza ele NUNCA poderá ser considerado um bom agente público se usa de anátemas para realizar seu projeto pessoal de enriquecimento e poder.