“Desenvolvimento” é melhor que crescimento sustentável

09/12/2009


Seca na Amazônia. Enquanto isso, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), rica fazendeira do estado de Tocantins e líder da bancada ruralista, tenta anular o Decreto 6.321/2007, peça importante do Plano de Combate ao Desmatamento da Amazônia.

A degradação dos ecossistemas naturais acontece num nível sem precedentes na história. É o que mostra o Relatório Planeta Vivo 2006, relatório bianual divulgado hoje pela rede WWF. O documento analisa o estado da natureza e indica que, se as atuais projeções se concretizarem, a humanidade consumirá perigosamente até 2050 duas vezes mais recursos que o planeta pode gerar por ano. (Fonte: WWF)

A COP-15, 15ª Conferência das Partes, realizada pela UNFCCC – Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, de 7 a 18 de dezembro deste ano, em Copenhague (Dinamarca), vem sendo esperada com enorme expectativa por diversos governos, ONGs, empresas e pessoas interessadas em saber como o mundo vai resolver a ameaça do aquecimento global e do desenvolvimento sustentável.

Um dos grandes entraves disso tudo é que os países não querem abrir mão de poluir e desmatar o meio-ambiente porque isso custaria “empregos” e atrapalharia o crescimento da nação. Mas é justamente aí que resido o problema. A população mundial chegará a mais de 9,2 bilhões de habitantes em 2050, segundo um relatório da ONU. Os motivos do aumento da população são, segundo o estudo, maior longevidade e melhora de acesso ao tratamento do HIV e da Aids. O relatório da WWF é bem claro: já consumimos mais recursos do que o planeta gera por ano. Não precisa ser muito inteligente para entender o óbvio: se continuarmos crescendo, não haverá tudo para todos.

Quão mesquinhos, capitalistas, ignorantes e manipuláveis são os governantes do mundo? Não dá para entender que NÃO PRECISAMOS CRESCER?! Ao contrário: precisamos esvaziar o mundo! Haverá fome? Desemprego? Olha, haverá muito mais se insistirmos em inflar a população mundial para além daquilo que o planeta Terra suporta! Precisamos reverter a taxa de natalidade. Imóveis ficarão vagos? Nações ficarão mais pobres? E daí? Isso é muito mais administrável do que mover milhões ou mesmo bilhões de pessoas que fugirão de condições climáticas adversas ou da miséria para outras áreas.

O mundo vai acabar! Que mundo esses governantes acham que estarão “defendendo” ao se comprometer com um “crescimento sustentável”? Não haverá mundo, simplesmente! Será um caos! Precisamos defender um “desenvolvimento sustentável”, ou seja, melhoria da qualidade de vida e não na quantidade de vidas sobre o planeta. Egoísmo? Não. Bom senso. As gerações futuras terão um mundo muito mais limpo e menos congestionado. Assusta ver que empresários e governantes rumam para o horizonte errado. Ao invés de incentivarem a reciclagem e manutenção dos recursos, continuam a incentivar o consumismo desenfreado. Para ficar bonito, diz-se que a empresa “não polui” ou que emprega recursos renováveis.

Legal. Passar a fazer 10.000 lápis cortando apenas 1 árvore soa extremamente eficiente e eficaz para combater o desmatamento. Mas quando a demanda dobra, triplica, de nada adianta. Agora, o contrário é válido. Se faço apenas 5.000 lápis com 1 árvore, mas a demanda cai à metade, então passarem a desmatar e poluir menos. Precisamos consumir menos. Precisamos de menos consumidores. Ou deixamos a ganância e avidez por dinheiro de lado, ou não haverá, sequer, razão para se ter dinheiro no futuro. Novamente, deixo a belíssima mensagem do Greenpeace que resume bem tudo isso:

Quando a última árvore cair,
o último rio secar
e o último peixe for pescado,
vocês vão entender que dinheiro não se come