As provas de deus não podem vir da bíblia

16/11/2009

Joãozinho é um garoto adorável. Aos 5 anos de idade, sobe no parapeito da janela do apartamento. Na iminência de se jogar, seu pai consegue pegá-lo a tempo:

“Mas que loucura você estava fazendo! O que pensa que ia fazer?!” – pergunta o pai aflito
“Voar, papai!”
“Mas não é possível voar, Joãozinho!”
“Mas está aqui no gibi… olha só… o Super Homem voa. E eu acho que vim do mesmo planeta que ele!”

A cena é corriqueira e reflete uma situação bem real. Crianças, ingênuas e ignorantes por não terem tido tempo de aprenderem o básico, não possuem a dimensão da realidade que os mais velhos possuem. É óbvio para o adulto que uma criança não pode voar, nem um adulto. Ao menos não através de super poderes. O gibi está desconectado da realidade, é claro. Não está lá para contar algo real. A intenção é entreter.

Eu digo isso porque os religiosos mais ingênuos usam a bíblia para provar a existência de seu deus. Ora, é como se num tribunal o réu usasse a própria confissão como prova irrefutável: nunca teríamos condenados! Provar a existência de deus através da bíblia não apenas é algo simples como também certeiro. Tanto quanto Super Homem existe no gibi, deuses existem em seus respectivos livros sagrados. Para realmente provar algo é necessária uma prova isenta e imparcial. Isso vale nos tribunais, nos laboratórios e até nas tomadas de decisões mais simples que tomamos na vida.

Portanto, os comentários ou “discussões” (?) que usam da bíblia como justificativa para qualquer coisa, são sumariamente descartadas, pois, são desprovidas de legitimidade. A bíblia só serve entre os crentes daquela fé, para explicar uns para os outros suas crenças e dogmas. No mundo real, assim como o gibi, não tem validade maior do que apenas entretenimento (não sei quem se entretêm lendo deus aniquilando nações inteiras, mas gosto não se discute).

Outro ponto que deve ficar claro a ambos os lados da discussão, crentes ou não: não venham querer se qualificar como pessoa estudiosa (muito menos culta!) e soltar pérolas como “ispontânio”, “pudesse-mos”, “endignados”. Este blogueiro aqui tem horror a erros de ortografia primários e pára de ler qualquer comentário ou e-mail assim que se depara com um. Não é prepotência, nem arrogância. Um analfabeto pode até passar lições de vida, mas não conhecimento intelectualizado. Como neste blog tratamos mais do segundo caso, este tipo de contribuição é sumariamente ignorada.

No demais, aos religiosos que ainda querem me salvar da danação eterna ou simplesmente comentar as coisas por aqui, são sempre muito bem-vindos. Só não posso garantir que vou ler ou relevar qualquer coisa escrita errada ou cuja frase termine com “Capítulo X, Versículo Y”. É perda de tempo.