Durante um mês, a professora de psicologia Barbara Fredrickson, da Universidade da Carolina do Norte, fez uma pesquisa onde 86 voluntários relataram diariamente as emoções que sentiram, em vez de responder a questões genéricas, do tipo "Nos últimos meses, quanta alegria você sentiu?".
Quanto mais emoções positivas uma pessoa sentia a cada dia, mais acentuada era sua capacidade de se recuperar de situações difíceis ou estressantes, concluiu Barbara. "Pequenos momentos de prazer fazem florescer as emoções positivas. Elas nos tornam mais abertos", diz Bárbara. "E essa abertura para o mundo nos ajuda a construir recursos que favorecem a recuperação diante da adversidade, nos mantém longe da depressão e nos permite continuar a crescer."
Segundo o estudo, ninguém precisa negar as decepções que a vida nos reserva. Nem achar que a felicidade seja decorrente apenas dos momentos grandiosos. As emoções positivas que produziram mais benefícios durante a pesquisa não eram derivadas de eventos extraordinários. "É preciso valorizar os 'micromomentos' que podem produzir uma emoção positiva aqui ou ali", diz Barbara. (Fonte: Science Daily e Cristiane Segatto)
Nada é mais pessoal do que o conceito de felicidade e a busca pela mesma. Às vezes ficava impressionado com os belíssimos filmes americanos onde a felicidade provinha de grandes conquistas e momentos tão grandiosos que nunca mais se repetirão. Conheço muitas pessoas que compartilham essa impressão de que a felicidade está nas grandes conquistas, nos momentos apoteóticos. Mas os redatores de “powerpoints bonitinhos” sempre insistiram que a felicidade residia nos pequenos momentos.
Fiquei cerca de 2 meses dentro de um quarto de hospital. Não era um problema grave, mas necessitava de internação. Lá fora era verão e fazia um sol e calor agradáveis. Olhava para o viaduto que cruzava a avenida, aquele monte de gente andando livre pela rua, tomando aquele sol... ficava pensando se elas davam a devida importância ao fato de estarem ali, vivas, saudáveis e livres para aproveitar a beleza de um dia como aqueles. Claro que não. O dia-a-dia naturalmente sufoca essa nossa capacidade de aproveitar estas pequenas belezas.
Então, saí do hospital. Algum tempo depois, precisei voltar para um simples exame. Quando coloquei o pé naquele viaduto, me dei conta: sol, calor, céu azul. Um dia bonito e eu estava ali, vivo e livre para curti-lo. Caminhei calma e vagarosamente enquanto atravessava o viaduto, observando os carros, a paisagem (agora de um novo ângulo). Foi algo que me fez bem (calma, sem dramas. Não chorei não). Agora, uma pesquisa científica vem para respaldar algo que eu e muitos já sentiram (e sim, os “powerpoints” tem lá sua razão): a felicidade está nestes pequenos momentos. E não importa POR QUE você sente, e sim O QUÊ você sente.
Não venho aqui deixar nenhum conselho sábio. Deixo apenas um depoimento e o resultado de um estudo, ambos apontando na mesma direção. Eu continuo fazendo pequenas coisas a todo o momento que me trazem prazer sem prejudicar ninguém. Claro, continuo perseguindo objetivos maiores, que talvez me tragam muito mais prazer. Mas sigo vivendo o hoje, atento para as minúcias e tentando, sempre que possível, aproveitar estes micro-momentos.
