Estudante de minissaia revela os hipócritas da UNIBAN

29/10/2009

Brasil. Milhares de estudantes se reúnem para se manifestar. O grito em uníssono reverbera por todo o campus, denotando a força e o tamanho da mobilização. Pessoas correm para chegar próximo ao foco da manifestação. Toda uma universidade pára a fim de participar do protesto. Mas... não foi contra o capitalismo... nem contra a ditadura... nem contra a corrupção... nem contra o aumento dos impostos... foi contra uma minissaia de uma estudante.

Que tipo de moral os defensores dos bons costumes querem defender? A quem eles pretendem enganar? Você pode não gostar do jeito que uma pessoa se veste, ou dos trejeitos dela. Definitivamente, você pode odiá-la. Mas não precisa humilhá-la por ser diferente. O princípio da discriminação racial e social segue o mesmo padrão, diga-se de passagem.

Uma estudante vai de minissaia para a sala de aula. Tudo bem. Quem nunca viu uma mulher de minissaia? Qual a diferença entre usar isso numa balada ou na sala de aula? Pode não ser o mais adequado, mas certamente não é reprovável. Agora, o ciúme e a inveja das colegas mulheres, possivelmente, eclodiram na forma de xingamentos e ostracismo. Afinal, por que rotular de puta uma garota baseada no que ela veste? É como chamar preto de bandido. A razão é pura e simples inveja, ciúmes e insegurança. E quando se tira a segurança de uma pessoa, ela precisará se segurar novamente em alguma coisa. “Se eu não sou bonita assim, não tenho corpo assim e nem coragem de usar minissaia assim para me mostrar, então ela não pode. Se pode, deve ser vulgar, puta”. Uma conclusão baseada em premissa alguma. É uma simples demonstração de mau-caráter, egoísmo e infantilidade.

Vamos supor que uma estudante tenha a coragem de ir de biquíni à escola. Ora, vemos biquínis aos montes nas praias e nem por isso nos chama atenção, correto? Já numa escola, claro, o lugar e a ocasião são estranhos para este tipo de peça de roupa. Certamente, chamará atenção aquela pouca roupa. Mas... nós não passamos pelas areias da praia chamando as mulheres de biquínis ou mesmo fio-dental de... putas. Certamente que não. Então, onde está a verdadeira razão e lógica para definir uma mulher que use um biquíni (ou minissaia, como foi o caso) na escola de puta?

E mesmo que fosse, quantos daqueles “digníssimos” rapazes que bradaram impropérios e obscenidades para a estudante, não freqüentam puteiros? Quantos não traem suas namoradas e até esposas? Quantos que, na verdade, estão até gostando de ver aquilo e, mesmo assim, se disfarçam de bons rapazes na vã tentativa de manter sua honra e dignidade?

Pior mesmo foi ter que sair escoltada pela polícia para não ser agredida! Pronto! Recomendo a todos os virgens puritanos, alunos e alunas da UNIBAN a levarem terços, santinhos e, com a bíblia debaixo do braço, fazerem um arrastão nas praias do Brasil para salvarmos a dignidade e os bons costumes do povo brasileiro. Usem uma cruz de ferro para abrir a cabeça daquelas devassas prostitutas que atrevem a andar de biquíni na praia e dos cafajestes de sunga. Claro que, aos homens, lembrem-se de não descontarem dentro do banheiro trancado as fantasias que guardam dentro de si. E às meninas, nada de sexo antes do casamento, certo? Ou vocês, defensores da honra, não tem medo de um dia serem rotulados de cafajestes e putas?