Por mais que eu aprecie a tecnologia e os avanços científicos, há certas coisas que temo e outras que eu definitivamente não tolero. Os avanços em comunicações, por exemplo, não devem ser desculpas para que não nos vejamos mais pessoalmente, cara-a-cara, olho-no-olho. Vejo um futuro gélido e impessoal quando vejo que está sendo cada vez mais comum terminar relacionamentos através de telefones, emails ou até mesmo scraps no Orkut e mensagem no celular!
Onde está a coragem e maturidade destas pessoas? Como podemos delegar às máquinas coisas que são estritamente de competência humana para fazer? Pois bem. Um robô batizado de "21" foi desenvolvido por pesquisadores e alunos da Universidade Waseda em Tóquio, no Japão, para realizar tarefas que auxiliem na recuperação de doentes. Ele pode desde dar apoio a um paciente que não sabe andar, até servir pequenas refeições.
Esta é uma área que posso falar por experiência própria, após 2 meses de internações em um hospital. Uma das coisas mais importantes para um doente é, justamente, a afetividade. Dos amigos, parentes e cônjuges. Como em casos menos graves nem sempre é possível ter alguém para cuidar de nós, esta tarefa fica a cargo de enfermeiras e auxiliares de enfermagem. O médico também tem seu papel humano nesta história, mas o cuidado mesmo será prestado pelo corpo de enfermagem.
É muito confortante você, por exemplo, precisando se levantar para comer e ser praticamente impedido de fazê-lo por causa de dor e de repente vem um ser humano, lhe segura, troca aquela palavra de apoio (“Vamos lá! Eu te ajudo!”) e te coloca em posição para realizar uma simples refeição. É bom. A gente se sente amparado. No ambiente hostil e mórbido do hospital, esse breve gesto nos traz um conforto. Sentimos que tudo vai dar certo porque as pessoas estão ali nos ajudando e esperando que nós melhoremos. Eu mesmo conversei com várias enfermeiras e auxiliares que vinham tirar temperatura e pressão, explicando o porquê de eu estar ali. “Pode deixar que já já você sai daqui”, ou “Fica tranqüilo que vai dar tudo certo”.
Há uma infinidade de coisas inerentes à natureza imprevisível e afetiva do ser humano que um robô jamais conseguirá substituir. Não adianta ele falar com o mesmo tom de voz de um humano, ou ter a mesma textura da pele humana ou ser mais solícito que uma enfermeira ocupada. Ele jamais terá o que podemos resumir como “calor humano”. Vá a um asilo carente e verá que os velhinhos não precisam de um robô para lhes ajudar a subir escadas ou dar refeições. Eles precisam mesmo é de um ouvido para escutar sua longa história de vida, seus desabafos da família que não vem vê-lo, etc.
Qualquer tentativa de substituir o emotivo pelo prático, na minha opinião, é um retrocesso como sociedade. Ainda mais em tempos que estamos cada vez mais individualistas e isolados um do outro
