Museu da Criação (EUA) deturpa a ciência para (tentar) validar a bíblia

04/07/2009

 
(Parece igreja, funciona como uma igreja, é frequentada por religiosos, mas este é o Museu da Criação. Local onde homens de má-fé usam a ciência de forma deturpada para tentar validar a cronologia da vida segundo a bíblia)

A Dra. Tamaki Sato ficou um pouco confusa na ala dos dinossauros. Os cartazes descreviam os diversos dinossauros como originários de diferentes períodos geológicos - o estegossauro, do jurássico superior; o heterodontossauro, do jurássico inferior; o velociraptor, do cretáceo superior - , mas em cada um dos casos, a data de extinção oferecida na ficha de informações era a mesma: por volta de 2.438 AC.

Na interpretação criacionista do universo, as camadas de rochas foram todas formadas em um evento único - o dilúvio mundial no qual Deus decidiu limpar a terra de todas as criaturas exceto aqueles que estavam reunidas na arca de Noé - , e portanto todos os dinossauros morreram em 2348 AC, o ano do dilúvio.

Desde que o museu abriu as portas, dois anos atrás, a instituição recebeu 750 mil visitantes (Fonte: Terra)

Num post anterior, eu falo como os cientistas, através descoberta da radioatividade e do avanço da ciência como um todo, conseguiram estimar a idade da Terra em aproximadamente 4,5 bilhões de anos. Os cientistas não inventaram uma data e decidiram convencer a todos sobre isso (como fazem os crentes). Ao contrário. Vários cientistas partiram de diversos pontos e todos convergiram para o mesmo resultado. Ninguém precisou ficar convencendo o outro.

No Museu da Criação, em Petersburg, no norte do Estado do Kentucky, religiosos de má-fé deturpam a ciência e colocam sobre a bíblia um falso manto científico, sobre o qual tentam explicar a cronologia da vida na Terra. O problema com a teoria cristã é que ela não pode ser provada e só existe para os cristãos. Pergunte a um religioso de alguma outra religião e ele lhe dará outra idade para a Terra, diferente daquela da bíblia, e que ele também tem certeza absoluta que está correta. Pergunte a um membro de outra religião e você terá uma resposta diferente para cada uma delas (e todas estarão “absolutamente corretas”). Na outra ponta, pegue uma rocha, entregue a diferentes laboratórios de datação e todos eles sempre encontrarão uma mesma idade. Então, por que a ciência sempre nos dá uma mesma faixa etária para a Terra e as religiões variam tanto? Simples... estas são baseadas na pura crença, na fé, na necessidade de se acreditar num deus.... a ciência se baseia sobre fatos e sobre a própria e verdadeira natureza das coisas. Eis o “milagre” da uniformidade de resultados das medições da Terra.

Mas o que assusta é que milhões, talvez bilhões, de pessoas acreditam nestas palavras escritas há milênios por homens sem a mínima formação científica. Vejamos. Cerca de 51% dos britânicos acreditam que a teoria da evolução não pode explicar a complexidade da vida na Terra, contra 40% que opinam o contrário. Além disso, um em cada três crê que Deus criou o mundo nos 10 mil últimos anos, indica uma pesquisa do instituto ComRes entre 2.060 adultos.

O perigo desta crença esconde-se naquela pequena fenda das instituições religiosas onde rastejam clérigos sedentos de poder, dinheiro e sexo. Pessoas que incitam à barbárie, o terrorismo, a xenofobia, a homofobia, morte aos descrentes, enfim. Além de, naturalmente, atravancar o progresso da ciência, segregar semelhantes, cercear a liberdade de acordo com interesses próprios, etc. Vide o Irã e a luta de seu povo para conseguir mostrar, de dentro de um país isolado pelos líderes religiosos do resto do mundo, a matança que o governo teocrático promove para manter a massa sob controle (em nome de um estado o mais correto possível, de acordo com as leis de Alah). Para assegurar nossa liberdade de expressão, precisamos contar o avanço da religião sobre o poder. Mas isso se torna uma tarefa difícil quando a população é convencida, enganada, submissa e manipulada pelas religiões.