O ex-administrador municipal Scott Janke, que foi demitido na semana passada em Fort Myers Beach, no estado da Flórida (EUA), porque sua mulher, Anabela Mota Janke, é atriz pornô, decidiu deixar a cidade, segundo a emissora americana de TV "Fox".
Anabela é conhecida na indústria pornô com o nome de "Jazella Moore". Na semana passada, os vereadores decidiram afastar o administrador, pois acreditam que o trabalho de sua mulher poderia afetar a credibilidade da cidade. (Fonte: G1)
Fico pasmo que em pleno século 21 ainda tenhamos que conviver com este tipo de discriminação. Sejamos bem sintéticos numa análise. A atriz pornô não faz nada de errado. É um trabalho como outro qualquer. Se você gosta ou não, se aprova ou não, ainda assim continua sendo um trabalho inofensivo. Ninguém sairá prejudicado se ver um filme pornô – até porque a intenção é justamente o contrário.
Agora vamos analisar os políticos, que são os mesmos em quase todos os cantos do mundo. Um político gere o dinheiro e serviços públicos. Se o político desviar os recursos, de alguma maneira estará prejudicando alguém. Em última instância, o pagador de impostos, que é obrigado sob pena de prisão a dar uma quantia do seu dinheiro aos políticos para que eles o usem em benefício da sociedade.
Logo, a atriz pornô não tem como prejudicar ninguém com seu trabalho. O político tem. Sem questionar a idoneidade dos patéticos, puritanos e hipócritas moralistas que são os vereadores da cidade, fica escancarada uma discriminação típica de coisas de quem não tem o que fazer, a não ser cuidar da vida... dos outros. Ora, eu teria MUITO mais vergonha de morar na cidade de um político ladrão, do que de uma atriz ou ator pornô. Novamente, isso porque o trabalho dele não interfere em nada na minha vida.
Achar que a cidade irá virar um puteiro por causa de uma ou duas pessoas, me soa de uma hipocrisia digna de José Sarney. O jogo de poder, por si só, envolve promiscuidade. Os escândalos em Brasília e em Nova York sobre políticos com casos extraconjugais com prostitutas, são só a pontinha de um iceberg continental.
Infelizmente, numa sociedade ainda muito falsa e teatral como a americana, o casal não tem chances de ficar em paz. Ainda mais nestas pequenas comunidades cheias de velhinhas que se sentem no banco de igrejas para falar sobre o que os outros fazem ou deixam de fazer. Espero que isso não gere um precedente vergonhoso, que ceifa a liberdade de cada um fazer o que bem quiser, desde que não causa nenhum tipo de mal ao próximo.
