(na foto acima, Estevam Hernandes e Sônia Hernandes. Um marketeiro que, de repente, descobriu que era apóstolo de deus. E não é que, de repente, também descobriram que é ladrão?)
No post “Respeitar as religiões? Eu não, obrigado”, há alguns comentários que merecem um novo post sobre o assunto. Um tal de “Távio” apoiou um tal de Rudson (o uso de “um tal de” não é para ofender, e sim apenas porque não posso comprovar a identidade de quem escreve) nos comentários do post.
Rudson diz que precisamos de religião, misticismo, mistério, deuses, pirâmides e toda a sorte de invencionices místicas. Távio o apóia. Eu apoio Rudson, mas apenas em parte. Não deveríamos precisar de nada disso para vivermos. Deveríamos ser fortes e nos apoiar na idéia de que, talvez, não haja nada depois daqui. Morremos e pronto. Fim. Darwin ganhou. Somos apenas um amontoado de moléculas encontrando uma forma de se perpetuar. Mas Rudson está certo de que o equilíbrio é inerente a qualquer parte do universo. Se existe o bem, precisa existir o mal. Se há luz, precisamos das trevas. Se há ateus, sempre deverão existir crentes.
Então, qual o problema se deveremos conviver com isso? O problema está no uso da religião enquanto instrumento de manipulação, usurpação e do cerceamento da liberdade de pensamento e expressão das pessoas. E como assim eu deveria respeitar? Como nota bem Richard Dawkins em seu livro, “Deus, um Delírio”, há um véu de proteção em torno da religião. Ninguém pode falar mal de nenhuma, nem criticar e muito menos zombar. Mesmo alguns ateus e agnósticos não costumam se arriscar no terreno da crítica à religião (não é religiosidade, meus caros, é RELIGIÃO).
A religião está aí, como outra manifestação de pensamento qualquer, e é passível de críticas, zombaria e até mesmo de repressões, como no caso de Justiça do Brasil, um país laico, que ordenou que um hospital realizasse a transfusão de sangue em um paciente, mesmo contra a vontade dos pais, Testemunhas de Jeová. O juiz baseou-se no artigo 5º da Constituição Federal que, apesar de assegurar o direito à liberdade de crença, prevê o direito à vida, que, segundo o magistrado, antecede o de liberdade religiosa. Está aí. Pais iam deixar o filho morrer por uma crença que não passa disso: uma crença em algo que não se pode provar.
Por fim, peço encarecidamente, e novamente, a todos os leitores deste blog e de outros canais: se informem. Quando você for falar com um ateu de verdade (ou seja, instruído), não é uma boa conduta lançar pérolas baseadas em crendices e muito menos atacar ou tentar evangelizar o ateu em si. Não precisamos da pena ou da redenção de nenhum deus (egípcio, cristão, grego, sumério, etc), não temos carências afetivas maiores que as de um ser humano comum, não acreditamos no seu “fogo do inferno”, no seu “diabo” e nem fazemos isto ou aquilo de bom (ou deixamos de fazer o ruim) por medo de punição ou na espera de uma recompensa. É preciso ser responsável e ter uma ampla noção de como viver em sociedade para ser livres como nós, ateus. Coisa que uma pessoa que julga que o mundo precisa de religião, decerto, ainda não tem.
