segunda-feira, 18 de maio de 2009

Milhares de argentinos estão doando dinheiro para um taxista da cidade de La Plata que encontrou e devolveu para o dono uma bolsa com cerca de 130 mil pesos argentinos (aproximadamente R$ 73 mil).

As doações para o taxista Santiago Gori, 39 anos, começaram depois que dois funcionários de uma agência publicitária lançaram uma página na internet para homenageá-lo, pedindo contribuições e palavras de gratidão pelo que foi chamado de "um gesto extraordinário de honestidade". (Fonte: Terra)

É bonito recompensar uma pessoa por um gesto nobre destes. Devolver uma grande quantia de dinheiro para os donos. Bonito. Mas seria motivo para comemoração? Bom, eu certamente gostaria de receber uma recompensa por eventuais provas de retidão, honestidade e compaixão. Mas devemos sempre esperar um retorno pelos nossos atos, a princípio, caridosos ou beneficentes? Num mundo carente de tudo, não podemos dar um pouco de graça coisas tão escassas, como foi a honestidade do taxista?

Este tipo de atitude pode gerar uma falsa sensação de que a ajuda tem preço. Logo algumas pessoas poderiam fazer atos fraternos na esperança de uma recompensa. Nada mal, certo? Pelo menos elas farão algo de bom, correto? Pois é. Mas e se a recompensa for percebida como menos valorosa do que uma possível conduta corrupta ou egoísta? Ou seja, e se o taxista nada recebesse por seu nobre gesto e, numa outra ocasião, acabasse embolsando o dinheiro?

Pessoas boas não precisam de tal tipo de agrado para serem boas. Elas o são por natureza, por uma satisfação que talvez os mais materialistas não entendessem. O merecido reconhecimento do nobre gesto do taxista mostra uma coisa que talvez nem todos percebam. Ser bom é algo tão raro, que paga-se para que o sejam. Num mundo capitalista, compramos até as boas ações. Um “obrigado” deveria ser mais do que o suficiente. Talvez, num gesto de gratidão diante da alegria de termos recebido uma boa ação até pudéssemos doar algo nosso. Talvez acabasse até sendo um gesto impulsivo, para mostrar o quão agradecido estamos.

A recompensa do taxista é louvável, sim. Mas desnuda um mundo carente, individualista, selvagem. Não somos animais irracionais e desprovidos de sentimentos. Temos tudo isso e muito mais. A ação do taxista deveria ser o comum, o normal, nunca um fato extraordinário que ganha a imprensa mundial e ainda vale gorda recompensa.

Ajudar o próximo sem esperar nada em troca... difícil?

2 comentários:

Anônimo disse...

Pena que tem pessoas como voc~e que escrevem reportagem com esta visão... se todos tiverem esta visão sim... penso que aqui no brasil... ou pensaram que não devolveriam ou devolveriam.. e não vou devolver pensando algo... e principalmente aqui que sabemos que muitas vezes não somos reconhecidos pelos nossos atos

Pena que no brasil ainda tenham pessoas assim querendo tirar vantagem até de si próprio.

Carlos Henrique Leda disse...

Concordo. Acho ridículo recompensar quem faz o certo. Certo deve ser feito pq é o certo, e ponto.
Fazer uma boa ação p/ ser recompensado p/ mim é suborno, só isso.

Parabéns pelos textos e pensamentos