Todos os anos, mais de 200 mil pessoas desaparecem no Brasil – 40 mil são crianças e adolescentes. Dez a 15% não retornam para seus lares. O perfil de desaparecidos, de acordo com Ivanise Santos, presidente da Associação Brasileira de Busca e Defesa das Crianças Desaparecidas (ABCD), são menores de origem pobre, de pele clara e muito bem afeiçoados, mas sem uma faixa etária definida. (Fonte: Agência Brasil)
É triste uma pessoa desaparecer. Quando uma pessoa morre, todos que a conheciam terão a oportunidade de lamentar (ou não) e seguir a vida na certeza de que será sem aquela pessoa a partir de então. Mas desaparecer não permite tal certeza. Um desaparecido pode gerar angústias para sempre, uma vez que jamais saberão de seu paradeiro. Vivo ou morto? Está bem ou mal? Impossível de se responder quando se desaparece.
Comovente o caso da pequena Madeleine. Criança bonitinha, novinha, que desapareceu quando os pais deram uma rápida saída de casa. Muito bem. Muito inútil mas, ainda, comovente ver a imprensa brasileira, americana, do Uzbequistão, da Tanzânia e, enfim, do mundo inteiro noticiando o desaparecimento da menina.
Mas os casos recentes no Brasil, como a de Eloá Pimentel seqüestrada na própria casa pelo ex-namorado, e o assassinato de uma outra menininha bonitinha, Isabela Nardoni, mostram que o povo brasileiro GOSTA destas desgraças. Saiam procissões dos confins deste Brasil para ir chorar na porta da delegacia para pedir “justiça” para a menina jogada do prédio. Oras, apenas esse tipo de comportamento de uma típica velha dona de casa ociosa e fofoqueira para explicar porque ainda, depois de 2 anos, o caso Madeleine merece 1 notícia qualquer em algum portal de notícias do Brasil.
Não me lembro da notícia das 200 mil pessoas desaparecidas no Brasil aparecerem em algum portal. Mas lá está ela! A midiática e facilmente vendável Madeleine aparecendo. Mas que imprensa é essa incapaz de nos informar da nossa própria situação, enquanto cobre um caso já saturadíssimo de uma inglesa do outro lado do Atlântico? Aqui a questão não é nem a bem aceita justificativa de “cada um lê o que quer”. O problema é que NÃO nos informaram sobre a NOSSA situação! Duzentos MIL desaparecidos e nenhuma nota em nenhum site de grande audiência?
E não me venham dizer que ela é apenas um caso “emblemático”, para mostrar à todos que existe este problema de pessoas desaparecidas. Garanto-lhes que temos histórias infinitamente mais interessantes entre nossos 200 mil desaparecidos para fazer filmes, livros e notícias inúteis em portais brasileiros.
PS: Até o fechamento deste post, 04/05/2009 às 19:45, mais de 53.000 desocupados foram ver o vídeo que fala que Madeleine pode estar desaparecida e não saber o que é. Menos que os 165.000 que viram um vídeo do início do ano de que ela poderia estar viva (uau!). Quanto à notícia dos desaparecidos no Brasil, eu a encontrei por acaso enquanto vasculhava dados na internet para fazer este post. Também achei um vídeo no próprio site do Terra sobre desaparecidos no Brasil, foi colocado dia 03/03/2009 e tem apenas 976 exibições.

