Jovem rasga dinheiro na balada por diversão

01/04/2009

Peço ao leitor que veja o vídeo até o fim, pois a crítica será construída sobre o final do vídeo.

Eu não tenho nada contra os ricos. Verdade que muitos chegam lá depois de pisar em cima de muita gente, passar a perna, exercer atividades ilícitas, etc. Mas muitos também chegam lá após anos de dedicação e esforço. A questão é que eles têm o direito de gastar fortunas em frivolidades, embora isso às vezes ultrapasse os limites do bom senso. Para se ter uma idéia, Athina Onassis Roussel, herdeira do império bilionário dos Onassis, visitou a butique mais exclusiva do país, a Daslu, que, entre outras peças de preços surpreendentes, oferece uma saia da Prada por R$ 16.400. 'Ela achou as coisas caras demais', contou a cunhada. Athina comprou apenas um vestido preto de renda John Galliano e um par de sandálias Dolce & Gabbana.

De qualquer forma, quem tem o dinheiro para se permitir ter luxos exclusivos pode fazê-lo sem constrangimento. Eu não vou aqui defender que vivamos sempre em prol do próximo ou de fazer o bem, ou salvar o mundo da miséria. Até porque isso soa mais um dogma religioso do que outra coisa qualquer. Merecemos prazer também. Mas há um certo problema na juventude, conforme vocês poderão conferir no vídeo. Não estou falando do jovem que compra uma garrafa que custa centenas de reais, ou da patricinha que gastou mais de R$500 do paizão numa única noite.

Estou falando no desprezo e da ostentação de quem não conhece a vida árdua de um trabalhador, ou pior, de um desempregado que batalha e até rouba comida para sustentar a família. Jovens incapazes de olhar muito mais além de seus umbigos limpos e perfumados. Jovens alienados de todo o estado de necessidade em que o mundo se encontra. São jovens ricos e, assim sendo, poderosos que não se movem. Apáticos e dopados por bebidas e drogas, vivem em um mundinho idílico e só se confrontam com a dura realidade quando são assaltados ou pior. E aí lá vão eles se cercarem de mais seguranças, blindagens e votar nos partidos de direita para que “aumentem o policiamento e desçam o cacete nos marginais”! É injusto que o mundo seja bom para poucos e ruim para quase todo o resto.

E não é preciso de muito para fazermos um mundo melhor. É só lembrar e se solidarizar com a necessidade do próximo. Não precisamos nos doar por inteiros para resolver os problemas do mundo, até porque este não é o caminho. Precisamos apenas dar parte do nosso “excedente” (seja material, espiritual, sentimental, etc) em prol da humanidade como um todo. Entre outras coisas que eu faço, talvez este blog seja mais um canal que uso para contribuir. Não sei. Já recebi emails particulares de pessoas que disseram que tentariam largar o cigarro, o consumo de carnes vermelhas e até diminuir a bebida após lerem alguns posts. Espero que a reflexão própria e estritamente pessoal ajude a tornar cada leitor deste blog uma pessoa melhor. Presunção da minha parte? Prepotência? Vaidade? Não, apenas uma esperança e até um humilde desejo.

Quanto ao infeliz que rasgou a nota, Marco Bahé, no site Acerto de Contas, explica:

O dinheiro não é dele. Dinheiro, seja em forma de papel ou moeda, pertence à União. O que nos pertence é o valor conferido àquela determinada cédula ou moeda. Vejam o que diz o jurista Jefferson Botelho sobre o assunto:

“A moeda pertence à União e o seu valor intrínseco ao particular, nos exatos termos dos artigos 98 e 99 do Novo Código Civil. Assim, se a própria pessoa rasga, suja, destrói, inutiliza, papel-moeda ou metálica, ainda que seja de sua propriedade estará configurado o crime de dano qualificado, previsto no artigo 163, parágrafo único, inciso III, do Código Penal Brasileiro.

Assim, quem rasga dinheiro, comete crime contra o patrimônio da União, pois logo estará destruindo coisa alheia móvel, devendo ser o comportamento doloso, dinheiro como sendo o bem material, o patrimônio o objeto jurídico. Trata-se de crime comum, material, de forma livre, comissivo, instantâneo, de dano, unissubjetivo, plurissubsistente.”

Além disso, a moeda é símbolo nacional, como a bandeira, o hino, etc. Qualquer tipo de profanação aos símbolos nacionais é crime federal.