Bancos aumentam a exclusão social no Brasil

08/04/2009

Banqueiros e sua ganância sem fim

Não se deixe enganar pelas propagandas bonitinhas e até emocionantes. Os bancos não estão aí para nos ajudar. Eles estão aí para nos explorar. A ausência do controle do Estado, colocou muito poder nas mãos dos bancos e agora somos dependentes indissociáveis dos mesmos. Cobram juros extorsivos e praticam spreads vergonhosos, claramente gananciosos. Eu uso banco porque não tenho escolha: não vou ficar andando com dinheiro na mão por aí e, às vezes, preciso de crédito para realizar alguma compra, como qualquer brasileiro.

O Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (Ipea) realizou um estudo que conclui que o Brasil tem um sistema bancário incompleto, que contribui para a concentração de riqueza e aumento da exclusão social. Uma das causas seria a ausência do Estado e da própria concorrência. Para se ter uma idéia, em 2007, por exemplo, o país possuía somente 156 instituições bancárias, enquanto a Alemanha (que tem menos da metade da população do Brasil) registrou 2.130 bancos e os Estados Unidos 7.282 bancos. Outro problema (que gera filas muito conhecidas pelos brasileiros) é que os bancos também diminuíram o número de agências.

Mas certamente o problema são os juros e a aparente conivência do Estado brasileiro. Oras, a Inglaterra está em plena recessão, quase que em depressão econômica. O risco de desemprego e conseqüente inadimplência por lá é altíssimo. Mas o HSBC cobra apenas 6,60% de juros a.a. dos clientes. Aqui no Brasil, onde ainda temos previsão de crescimento do emprego e do PIB, os juros são quase 10 VEZES MAIOR, algo em torno de 63% a.a. Oras, se os juros são o preço que se paga pela desconfiança entre credor e devedor, porque diferença tão absurda? Exploração, pura e simples. Veja abaixo, uma breve tabela do Ipea com alguns bancos e suas práticas abusivas de juros:

Instituição
País
Juro real (em %)
HSBC
Reino Unido
6,60
Brasil
63,42
Santander
Espanha
10,81
Brasil
55,74
Citibank
E.U.A
7,28
Brasil
60,84
Banco do Brasil
Brasil
25,05 (consignado)
Itaú
Brasil
63,25

Felizmente, o governo tem um trunfo nas mãos. O Banco do Brasil é o maior banco do país (depois do Itaú-Unibanco) e tem cacife para aumentar a concorrência. Emprestar dinheiro é o negócio dos bancos. Este é o produto que eles vendem, ganhando com juros e taxas nestas transações. Como qualquer outro produto, os consumidores procurarão o melhor preço. Se o governo abaixar suas taxas, a tendência é que as pessoa procurem por ele e, como os demais bancos não querem perder negócios, acabaria havendo uma diminuição nestes juros e spreads. Mas eis que, mesmo após pressão do presidente Lula, o presidente do Banco do Brasil NÃO abaixou os juros. Numa atitude louvável, o que fez nosso presidente? Demitiu o presidente do Banco do Brasil, Antônio Francisco de Lima Neto, que o presidente julgou não estar contribuindo para um sistema bancário mais justo, e colocou no lugar Aldemir Bendine. Vejamos se agora as coisas melhoram um pouco.