quarta-feira, 4 de março de 2009

(O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, é cassado e em seu lugar assume José Maranhão, que já possui 8 processos na justiça, sendo 2 deles pelas mesmas acusações que derrubaram Cunha Lima)

Eis o retrato de um país onde a corrupção é vista com maus olhos apenas por quem está de fora. Quem pode (ou está dentro) quer mais é aproveitar e que se danem os outros. E, claro, assim continuaremos ad infinitum até que o brasileiro perceba que a corrupção não será resolvida por um messias, e sim pela atitude honesta de cada um de nós.

Na Paraíba, o governador Cássio Cunha Lima (PSDB) e o vice foram acusados de abuso de poder econômico e político na eleição de 2006 por terem distribuído mais de 35 mil cheques, de R$ 1 mil a R$ 56 mil, num total de R$ 3,5 milhões, inclusive a pessoas ligadas ao governo, como autoridades do primeiro escalão da Casa Civil e de secretarias de governo. O TSE cassou o mandato do governador e de seu vice. Assumiu o segundo colocado nas eleições locais, o então senador José Maranhão (PMDB).

José Maranhão responde a nada menos do que 8 processos na justiça. Dois dos processos contra Maranhão são relativos à eleição 2006, a mesma em que foram cometidas as irregularidades que levaram à cassação de Cunha Lima. Ele é acusado de abuso de poder econômico e compra de voto. Para assumir o cargo, José Maranhão precisou abrir mão de sua vaga no senado e, assim, seu suplente, Roberto Cavalcanti, assumiu sua cadeira no senado.

O empresário Roberto Cavalcanti Ribeiro (PRB-PB) é processado por corrupção numa ação que tramita desde 2004 na Justiça Federal. Ele foi acusado pelos crimes de corrupção ativa, estelionato, formação de quadrilha, uso de documentos falsos e crimes contra a paz pública.

Ainda no senado, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) reafirmou a entrevista à revista, dizendo que a corrupção está impregnada em todos os partidos e que boa parte do PMDB "quer mesmo corrupção". Como retaliação, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), destituiu ontem o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O senador Renan Calheiros foi aquele que renunciou ao cargo de presidente do Senado Federal após denúncias de corrupção, como a de usar 'laranjas' para comprar um grupo de comunicação em Alagoas, a de ter recebido propina e a de ter usado um assessor da presidência, Francisco Escórcio, para espionar a vida de dois senadores da oposição. O PSOL protocolou ainda em 18 de outubro (2007) na Mesa do Senado a sexta representação contra o presidente licenciado da Casa. Na denúncia, Renan é acusado de ter usado o cargo para praticar crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, intermediação de interesses privados, corrupção ativa e passiva e formação de quadrilha ao ter repassado R$ 280 mil a uma empresa fantasma de um ex-assessor.

A pergunta é: como um corrupto pode julgar ou criticar outro corrupto? A analogia para tudo isto, para mim, é muito simples. É como limpar a bunda com papel sujo. É tudo uma grande merda.

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