PAC é o “New Deal brasileiro”, segundo estudo da FGV

17/02/2009
Obras do trecho sul do Rodoanel
(Obras do Rodoanel. O megaprojeto de infraestrutura é uma enorme rodovia que circulará a grande São Paulo ligando 7 outras importantes rodovias. Com um total de 170km de extensão previsto, custará algo em torno de R$ 5 BILHÕES, irá tirar 300 mil veículos de circulação de São Paulo e irá gerar mais de 11000 empregos.)

Um estudo do professor da FGV, Marcelo Cortes Neri, atribui a programas sociais como o Bolsa Família e aos aumentos do salário mínimo os vastos sucessos sociais dos últimos anos do governo Lula, dando destaque para a queda da desigualdade e para o impressionante aumento de mais de 20% da classe C e o forte encolhimento do contingente de pobres e miseráveis nos últimos anos. A respeito do PAC, o professor vai mais longe:

"(...) O PAC, Programação de Aceleração do Crescimento, é um plano que talvez não fizesse muito sentido quando ele foi lançado como um plano de aceleração do crescimento, porque a economia estava muito aquecida, e hoje em dia é visto quase como um New Deal americano [programa de aquecimento econômico do presidente americano Franklin D. Roosevelt implementado entre 1933 e 1937] numa época em que comparações com a grande depressão americana [de 1929] começam a se tornar mais comuns. Então, é meio como se o Brasil criasse um New Deal antes que a depressão fosse anunciada. Aqueles que acham que o Brasil estava com sorte, alguns anos atrás [conforme diz a imprensa e a oposição para desmerecer o crescimento continuado dos últimos anos], que sorte temos agora, porque é como se tivéssemos um bilhete de loteria, um seguro que não sabíamos que tínhamos (...)".

O interessante é que isso não saiu na grande mídia, clara e franca opositora do governo Lula. A mídia quer que o Brasil do PT dê errado. Quer que a crise assole nossa economia. Assim, a direita queridinha dos donos dos meios de comunicação voltaria mais facilmente ao poder. Felizmente, a crise brasileira acaba tão logo se desligue a TV. Embora superestimativas, previstas para uma economia mundial que vinha crescendo em ritmo acelerado, estejam sofrendo correções, a economia vai bem. Se o mundo está em recessão, nós só estamos em um ritmo menor de crescimento, mas ainda sim crescendo. As razões para isso podem parecer um pouco contraditórias, mas é porque o governo está “gastando” muito. Como assim?

Bem, o governo arrecada muito. Segundo o Impostômetro (que precisou ser trocado para caber mais casas decimais), no ano passado, foram pagos R$ 1,060 trilhão; em 2007, R$ 921 bilhões; em 2006, R$ 812,7 bilhões; e em 2005, R$ 731,8 bilhões. Este é o dinheiro que sai de circulação. Se ele não voltar para a economia, tiramos o dinheiro da cadeia produtiva e o depositamos em esferas que não geram empregos, como a financeira (ações, títulos públicos, etc). Agora, a partir do momento que ele volta para a economia, então temos uma cadeia produtiva sendo alimentada por um motor poderoso.

O pagamento do funcionalismo público, embora vexaminoso, é uma das portas por onde o dinheiro dos impostos retornam à cadeia produtiva. Afinal, o funcionário público compra carros, eletrodomésticos, paga contas de luz e tudo mais como todos os demais cidadãos. Em outra ponta, o governo pode investir diretamente com obras. Isso alimenta toda uma cadeia produtiva. Obras para construção de casas, por exemplo, demandam aço, concreto, tratores, maquinários. Imagine quantas indústrias não precisam se movimentar para suprir esta demanda? Fora a mão-de-obra, que vai dos engenheiros até o auxiliar de pedreiro. Então, lembre-se, o governo gastar é bom. Os funcionários públicos ganharem aumentos (desde que justos) é bom. O problema é quando poucos sofrem tanto para pagar pelos gastos do governo, como é o caso da classe média brasileira, atolada em impostos.