Edmar Moreira representa a impunidade do Brasil

10/02/2009

Edmar Moreira, corregedor da Câmara, renuncia após escândalos

Um dia após ser eleito 2º vice-presidente da Câmara, e portanto seu corregedor, o deputado Edmar Moreira (DEM-MG) propôs que a Casa não julgue mais os deputados, repassando a tarefa à Justiça. Edmar argumentou que "o vício da amizade" entre os parlamentares acaba, muitas vezes, afetando o processo; por isso, a Câmara deveria julgar a admissibilidade do caso e enviá-lo ao Judiciário. Basicamente, o corregedor afirmou que não abriria processos de cassação de deputados, ou seja, todos deputados poderiam fazer o que quiser sem jamais serem punidos.

Pois é. Por alguns dias, este foi o corregedor eleito pelos deputados. Ao corregedor da câmara cabe a manutenção do decoro parlamentar (conjunto de princípios éticos e normas de conduta que devem orientar o comportamento do parlamentar no exercício de seu mandato), da ordem e da disciplina na Casa. É de responsabilidade do corregedor (cargo exercido pelo 2º vice-presidente da Câmara) presidir inquérito que envolva deputado (por exemplo, como ocorreu no caso dos mensaleiros). Aliás, por falar em mensaleiros, quando integrava o Conselho de Ética, no escândalo do mensalão, Edmar absolveu nove acusados, sendo cinco petistas.

Entenda, eu realmente não vejo problemas no deputado ter um castelo que vale milhões. Apesar do mesmo ter sido feito ANTES do mandato de deputado, acusações indicam que o dinheiro do mesmo provém de sistemáticas sonegações fiscais, o que por si só já é condenável. Mas nem é com isso que eu fico irritado. O grande problema foi o deputado declarar abertamente sua intenção de manter a impunidade no antro de corrupção brasileira, que é a câmara dos deputados. Pior ainda foi o fato de ele ter recebido 283 votos para ser corregedor. Ou seja, praticamente 1 em cada 2 deputados votaram no (in)digníssimo deputado numa clara tentativa de se manterem impunes por suas falcatruas, já bem conhecidas por quem lê a mídia alternativa. Agora, estes mesmos deputados irão crucificar Edmar Moreira e, certamente, de forma presunçosa, irão se auto-proclamar defensores da moral e do decoro parlamentar. Mas assim é o mundo da política: não há amigos, apenas interesses.

De qualquer forma, o Brasil tem o que merece. Lembremos que o referido deputado conseguiu quase 100 mil votos em Minas Gerais. Acredito, logo, que ele esteja defendendo o interesse dos mineiros ao manter a sujeira debaixo dos tapetes do congresso. Ou estou enganado?