Ecstasy: o símbolo de uma juventude iludida

27/02/2009

O MDMA (metilenodioximetanfetamina, ou simplesmente ecstasy) foi sintetizado pela Merck em 1914 com a finalidade de ser usado como um supressor do apetite, mas nunca foi usado com essa finalidade. O consumo de produz um aumento do estado de alerta, maior interesse sexual, sensação de estar com grande capacidade física e mental, atrasa as sensações de sono e fadiga. Muitos usuários sentem também euforia, bem-estar, aguçamento sensório-perceptivo, aumento da sociabilização e extroversão, aumenta a sensação de estar próximo às pessoas (no sentido de intimidade) e aumenta a tolerabilidade.

Aumento da tensão muscular, aumento da atividade motora, aumento da temperatura corporal, enrijecimento e dores na musculatura dos membros inferiores e coluna lombar, dores de cabeça, náuseas, perda de apetite, visão borrada, boca seca, insônia são os efeitos indesejáveis mais comuns. O súbito aquecimento do corpo pode levar a rabdomiólise (lesão dos tecidos musculares) que quando acontece de forma simultânea leva a um "entupimento" dos rins o que pode danificá-los permanentemente. Coagulação intravascular disseminada: é um efeito extremamente grave que geralmente leva a morte. A longo prazo, depressão profunda, paranóia, alucinações e ataques de pânico podem se manifestar. (Fonte: Psicosite)

Ouvindo a rádio Band News FM (melhor que a CBN, onde a cada 3 notícias, pelo menos 1 é de futebol), na coluna de Inês de Castro falando sobre a triste história dos filhos da classe média alta brasileira, fiquei a pensar. Basicamente, ela falava de uma reportagem do NY Times sobre o consumo de ecstasy entre a elite. A droga virou parte do cenário da música eletrônica. Seja em raves ou baladas, lá estão os jovens consumindo ecstasy alucinadamente para se manterem despertos até ficarem “fritos”.

O que impressiona é o buraco sem fim na personalidade da juventude. Comprando da mídia uma felicidade infinita, que não existe, os jovens são insaciáveis em busca de prazeres efêmeros, mundanos e triviais. Quem disse que você precisa dançar 12 horas sem parar numa pista de dança para curtir a vida? Qual o problema em se sentir cansado após, digamos, 4 horas e depois repousar numa cama quentinha e confortável para, num outro momento, fazer isto de novo? Quem lhe disse que é preciso fazer sexo ininterruptamente, com o maior número de pessoas possíveis, para aproveitar a vida? Por que é que, estranhamente, estas pessoas jamais se saciam? Será que não percebem que o mundano só satisfaz a carne, mas não o espírito?

Não estou sendo místico com minhas palavras. Estou fazendo uma constatação. Vá a uma cidadezinha de interior e veja que, estranhamente, muitas pessoas de vida pacata e simples são felizes. E não querem trocar aquilo por nada. E porque o playboyzinho com mansão, motorista, viagens, roupas, acessórias, baladas e drogas não consegue? Se você procurar uma agulha num palheiro sem agulhas, jamais encontrará nada, é óbvio. O que era para ser um complemento vira objetivo de vida. E estes recursos para manter esta felicidade de aparências só se sustentam com mais deles mesmos: baladas, drogas, sexo. Pare por um dia e uma depressão traga você para o mais profundo abismo do vazio da existência. E com um tapa na cara ela lhe acorda e grita estridentemente em seus ouvidos: “ACORDA! TUDO ISSO SÓ DURA UM MOMENTO!”.

Sem objetivos de vida, sem amores, sem projetos pessoais, sem razão para existir, a pessoa se perde e não sabe mais o que fazer a não ser mais do mesmo: baladas, drogas e sexo. Sua existência não se justifica. Não há razão para viver mais um dia sequer. Mas se vive. Vive-se na esperança de que algo lhes tire do abismo. Se será uma mão amiga ou uma corda pendurada no teto, cabe a cada um decidir. A mídia consumista faz seu papel diabólico de vender trivialidades em troca de dinheiro, muito dinheiro. E a quem não está preso a tudo isto, cabe o papel de alertar os demais ou, ao menos, manter-se distante e conservar o que ainda temos de humano.

Consumir é legal. Viver para consumir é que não é.