O MDMA (metilenodioximetanfetamina, ou simplesmente ecstasy) foi sintetizado pela Merck em 1914 com a finalidade de ser usado como um supressor do apetite, mas nunca foi usado com essa finalidade. O consumo de produz um aumento do estado de alerta, maior interesse sexual, sensação de estar com grande capacidade física e mental, atrasa as sensações de sono e fadiga. Muitos usuários sentem também euforia, bem-estar, aguçamento sensório-perceptivo, aumento da sociabilização e extroversão, aumenta a sensação de estar próximo às pessoas (no sentido de intimidade) e aumenta a tolerabilidade.
Aumento da tensão muscular, aumento da atividade motora, aumento da temperatura corporal, enrijecimento e dores na musculatura dos membros inferiores e coluna lombar, dores de cabeça, náuseas, perda de apetite, visão borrada, boca seca, insônia são os efeitos indesejáveis mais comuns. O súbito aquecimento do corpo pode levar a rabdomiólise (lesão dos tecidos musculares) que quando acontece de forma simultânea leva a um "entupimento" dos rins o que pode danificá-los permanentemente. Coagulação intravascular disseminada: é um efeito extremamente grave que geralmente leva a morte. A longo prazo, depressão profunda, paranóia, alucinações e ataques de pânico podem se manifestar. (Fonte: Psicosite)
Ouvindo a rádio Band News FM (melhor que a CBN, onde a cada 3 notícias, pelo menos 1 é de futebol), na coluna de Inês de Castro falando sobre a triste história dos filhos da classe média alta brasileira, fiquei a pensar. Basicamente, ela falava de uma reportagem do NY Times sobre o consumo de ecstasy entre a elite. A droga virou parte do cenário da música eletrônica. Seja em raves ou baladas, lá estão os jovens consumindo ecstasy alucinadamente para se manterem despertos até ficarem “fritos”.
O que impressiona é o buraco sem fim na personalidade da juventude. Comprando da mídia uma felicidade infinita, que não existe, os jovens são insaciáveis em busca de prazeres efêmeros, mundanos e triviais. Quem disse que você precisa dançar 12 horas sem parar numa pista de dança para curtir a vida? Qual o problema em se sentir cansado após, digamos, 4 horas e depois repousar numa cama quentinha e confortável para, num outro momento, fazer isto de novo? Quem lhe disse que é preciso fazer sexo ininterruptamente, com o maior número de pessoas possíveis, para aproveitar a vida? Por que é que, estranhamente, estas pessoas jamais se saciam? Será que não percebem que o mundano só satisfaz a carne, mas não o espírito?
Não estou sendo místico com minhas palavras. Estou fazendo uma constatação. Vá a uma cidadezinha de interior e veja que, estranhamente, muitas pessoas de vida pacata e simples são felizes. E não querem trocar aquilo por nada. E porque o playboyzinho com mansão, motorista, viagens, roupas, acessórias, baladas e drogas não consegue? Se você procurar uma agulha num palheiro sem agulhas, jamais encontrará nada, é óbvio. O que era para ser um complemento vira objetivo de vida. E estes recursos para manter esta felicidade de aparências só se sustentam com mais deles mesmos: baladas, drogas, sexo. Pare por um dia e uma depressão traga você para o mais profundo abismo do vazio da existência. E com um tapa na cara ela lhe acorda e grita estridentemente em seus ouvidos: “ACORDA! TUDO ISSO SÓ DURA UM MOMENTO!”.
Sem objetivos de vida, sem amores, sem projetos pessoais, sem razão para existir, a pessoa se perde e não sabe mais o que fazer a não ser mais do mesmo: baladas, drogas e sexo. Sua existência não se justifica. Não há razão para viver mais um dia sequer. Mas se vive. Vive-se na esperança de que algo lhes tire do abismo. Se será uma mão amiga ou uma corda pendurada no teto, cabe a cada um decidir. A mídia consumista faz seu papel diabólico de vender trivialidades em troca de dinheiro, muito dinheiro. E a quem não está preso a tudo isto, cabe o papel de alertar os demais ou, ao menos, manter-se distante e conservar o que ainda temos de humano.
Consumir é legal. Viver para consumir é que não é.




3 comentários:
Tenho a curiosidade de saber como a pessoa se sente quando passa o efeito da 'parada'. Será que algum deles pensa "e aí? acabou, o que eu faço agora?"
Devem sentir um imenso vazio, como em um pesadelo que nunca termina. Até que consumam a droga novamente. Daí, o suposto "sonho" recomeça.
A sensação varia muito, de pessoa para pessoa. Os mais sensatos tomam meia droga, e, depois de passado o efeito, mais meia. Após mais ou menos 40min da ingestão, o coração começa a bater um pouco mais rápido, como se você estivesse na fila de uma montanha russa. A respiração fica profunda: dá prazer respirar. O olho "dá uma caída", como se você estivesse com muito sono. Meio que começa a "virar". Como virar os olhos é algo feio, óculos escuros escondem isso. Se há música, ela vibra por todo o seu corpo. Você fecha os olhos e dança - e não estamos falando apenas de música eletrônica. O efeito não só varia de pessoa para pessoa, mas também de estados de humor e do organismo. Às vezes, pode dar uma tonturinha, gostosa. Ás vezes, náusea. Tem gente que sente ânsia de vômito, mas não é tão comum. No pico da sensação, a boca passa a fazer movimentos involuntários, tipo morder e entortar. Quem não quer pagar de drogado segura a onda e fica de boa. Quem gosta de se mostrar, se morde mesmo, não está nem aí. O queixo pode tremer, como se a pessoa estivesse com frio. Mas tá calor, pode ter certeza. Muita, mas muita sede. Uma sede que não passa. Vontade de abraçar as pessoas. O amor aumenta, dobra, triplica. A violência se extingue. A paz reina. A sensação é de que você não precisa de mais nada. Aquele ser humano desejoso, insatisfeito, se tranquiliza um pouco. Não quer nada além daquele momento. Se o ambiente tem música, dança, dança, sem parar, sem cansar. Sempre com aquela sensação de "que delícia". Aí, depois de mais ou menos duas horas, o pico começa a passar. Em três horas você já não está "louco". Apenas com alguns resquícios (dor nas costas é algo muito comum).
A sensação do pós é realmente ruim. Dá uma depressãozinha, passageira. Mas não sei o porquê do tabu. Beber também é um prazer momentâneo e dá aquela ressaca horrível, e ninguém fica crucificando as pessoas que bebem socialmente. Sabe? Cada um faz suas escolhas, cada um sabe onde aperta o calo. A sensação é boa, mas é preciso viver a realidade. Acabou? Droga, acabou aquela delicinha de sensação. Mas pô. Não é assim também. Acabou, acabou. Segunda-feira é dia de trabalho e responsabilidade.
Tomar essas coisas não é o problema. Problema é não ter sido educado para ser ponderado, equilibrado. Tudo em exagero faz mal. Inclusive o exagero ao contrário.