Chris Brown é o estereótipo do macho covarde

16/02/2009

Chris Brown bateu em sua namorada Rihanna

Eu não gosto muito do jeito machão de ser. Sabe como é? Tem que ser meio porco, rude, putão, bruto, grosseiro, insensível, frio. Enfim, tudo aquilo que é visto como defeitos, mas que a sociedade assimila ao comportamento de um homem de verdade. Para mim, homem machão é animal. Homem de verdade trata a mulher com carinho, sentimentalidade, romantismo. Reconhece a fragilidade da alma feminina, por vezes tão carente e insegura, e trata de provê-la com proteção e afetividade. Mas a mídia nos vende algo um pouco diferente.

O estereótipo de homem de verdade, segundo a mídia americana, usa roupas largas, correntes, faz cara de malvado na foto (quando perdemos aquele “sorria” que diziam ao tirar foto?) e pose de machão. Algum homem de verdade que está lendo isso aqui, já precisou posar de “machão”? Acho que não. Homem de verdade é seguro de si. Não precisa provar nada para ninguém. Mas eis que um subproduto desta cultura americana vem à tona devido a um caso com estrelas da música. O cantor de R&B Chris Brown, preso no fim de semana passado por suspeita de ter atacado sua namorada, a cantora Rihanna, disse no domingo que "lamenta e está entristecido" com o incidente e que está procurando ajuda psicológica. Suspeita-se, ainda, que o casal já teve outras brigas, e especula-se que Rihanna usou tapa-olho em algumas ocasiões para proteger a córnea, arranhada após alguma discussão.

Eu simplesmente não entendo como um homem pode bater numa mulher. Eu jamais bateria na minha namorada e acho que me descontrolaria se visse alguém fazendo isso. Como um homem pode ser tão covarde e bater numa mulher? Sim, covarde porque quase nenhuma mulher tem força para reagir mesmo contra um homem franzino. Pior é o agressor vir a público invocando a “piedade” alheia, tentando angariar alguma compaixão:

"As palavras nem conseguem começar a expressar o quanto lamento e estou triste pelo que aconteceu", disse ele. "Estou procurando a ajuda de meu pastor, minha mãe e meus entes queridos, e, com a ajuda de Deus, sairei disto uma pessoa melhor."

Bonitinho, comovente. Mas quem escreveu foi provavelmente uma firma de relações públicas especializada em administração de crises, contratada pelo cantor. Sim! A incompetência e despreparo é tamanha (e como nos EUA pode-se comprar de tudo) que precisa de uma empresa para tentar limpar a cara do meliante. Cabe à Rihanna separar-se do infeliz, ou continuar no sofrimento (porque isso de achar que “ele vai melhorar” quase sempre resulta em crime passional...).

E não pensem que isso é falta de deus ou coisa do tipo. Para se ter uma idéia, das 3 mil mulheres que procuram a Casa de Isabel, ONG da Zona Leste que assiste vítimas de violência, 90% são evangélicas agredidas física ou verbalmente pelos maridos (que, na igreja, são exemplos de bondade). Saudades dos povos antigos, na aurora das comunidades humanas, onde as mulheres eram vistas e veneradas como seres sagradas e, como tal, respeitadas e protegidas. A mim cabe defender as mulheres que conheço e também não permitir que os homens que conheço sejam autores de tamanha covardia.

Rihanna antes e depois da agressão
(Rihanna antes e depois da agressão sofrida por Chris Brown)