Eu não gosto muito do jeito machão de ser. Sabe como é? Tem que ser meio porco, rude, putão, bruto, grosseiro, insensível, frio. Enfim, tudo aquilo que é visto como defeitos, mas que a sociedade assimila ao comportamento de um homem de verdade. Para mim, homem machão é animal. Homem de verdade trata a mulher com carinho, sentimentalidade, romantismo. Reconhece a fragilidade da alma feminina, por vezes tão carente e insegura, e trata de provê-la com proteção e afetividade. Mas a mídia nos vende algo um pouco diferente.
O estereótipo de homem de verdade, segundo a mídia americana, usa roupas largas, correntes, faz cara de malvado na foto (quando perdemos aquele “sorria” que diziam ao tirar foto?) e pose de machão. Algum homem de verdade que está lendo isso aqui, já precisou posar de “machão”? Acho que não. Homem de verdade é seguro de si. Não precisa provar nada para ninguém. Mas eis que um subproduto desta cultura americana vem à tona devido a um caso com estrelas da música. O cantor de R&B Chris Brown, preso no fim de semana passado por suspeita de ter atacado sua namorada, a cantora Rihanna, disse no domingo que "lamenta e está entristecido" com o incidente e que está procurando ajuda psicológica. Suspeita-se, ainda, que o casal já teve outras brigas, e especula-se que Rihanna usou tapa-olho em algumas ocasiões para proteger a córnea, arranhada após alguma discussão.
Eu simplesmente não entendo como um homem pode bater numa mulher. Eu jamais bateria na minha namorada e acho que me descontrolaria se visse alguém fazendo isso. Como um homem pode ser tão covarde e bater numa mulher? Sim, covarde porque quase nenhuma mulher tem força para reagir mesmo contra um homem franzino. Pior é o agressor vir a público invocando a “piedade” alheia, tentando angariar alguma compaixão:
"As palavras nem conseguem começar a expressar o quanto lamento e estou triste pelo que aconteceu", disse ele. "Estou procurando a ajuda de meu pastor, minha mãe e meus entes queridos, e, com a ajuda de Deus, sairei disto uma pessoa melhor."
Bonitinho, comovente. Mas quem escreveu foi provavelmente uma firma de relações públicas especializada em administração de crises, contratada pelo cantor. Sim! A incompetência e despreparo é tamanha (e como nos EUA pode-se comprar de tudo) que precisa de uma empresa para tentar limpar a cara do meliante. Cabe à Rihanna separar-se do infeliz, ou continuar no sofrimento (porque isso de achar que “ele vai melhorar” quase sempre resulta em crime passional...).
E não pensem que isso é falta de deus ou coisa do tipo. Para se ter uma idéia, das 3 mil mulheres que procuram a Casa de Isabel, ONG da Zona Leste que assiste vítimas de violência, 90% são evangélicas agredidas física ou verbalmente pelos maridos (que, na igreja, são exemplos de bondade). Saudades dos povos antigos, na aurora das comunidades humanas, onde as mulheres eram vistas e veneradas como seres sagradas e, como tal, respeitadas e protegidas. A mim cabe defender as mulheres que conheço e também não permitir que os homens que conheço sejam autores de tamanha covardia.
