Até o ano passado, os professores [da rede estadual de São Paulo] eram escolhidos com a comparação do tempo de serviço prestado ao estado e dos títulos obtidos durante a carreira. Para 2009, o governo decidiu aplicar uma prova com questões sobre as matérias que eles teriam de ensinar em sala de aula. De todos que participaram, 3.500 tiraram zero. Mas 2.000 deles nunca tinham lecionado na rede de ensino do estado. (Fonte: ConJur)
É sabido que, no setor privado, o resultado da incompetência é a demissão sumária (a não ser que você tenha um bom relacionamento com a chefia). É um processo de seleção natural: visando potencializar a eficiência da empresa, de forma a diminuir custos e aumentar lucros, elas buscam os melhores profissionais. Simples e justo.
Mas os funcionários públicos, agraciados com toneladas de leis que os protegem, querem o contrário: esforço mínimo e remunerado. Ora, me desculpem. De 214 mil professores, “apenas” 3.500 tiraram zero. Alegar que houve um problema na organização da prova, então, me parece fora de cogitação. Logo, realmente há 3.500 mulas que se metem à besta em querer ensinar o que não sabem e serem remuneradas pelo o que não merecem.
Vocês entendem a gravidade da situação? Um professor tirou zero! Como se ensina o que não se sabe? Não dá! Tente regar o vaso com um regador sem água. Não funciona. Qual a saída? Bem, a rua. Uma pessoa desqualificada a este ponto, simplesmente não merece uma segunda chance. Arrume outro emprego. Sei lá, vai tentar ser babá. Bebês não precisam aprender nada, apenas brincar. Até um cachorro entretêm uma criança. Logo, estes “profissionais” devem servir. Para minha surpresa, a Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) entrou com recurso (e ganhou!) para garantir que o resultado da prova não fosse usado como parâmetro na hora de distribuir o corpo docente pelas salas de aula.
Bem, como qualquer pessoa com QI maior que 10, o governador José Serra entendeu bem o que a mesquinha associação pretende e disse:
"Não houve (erro na avaliação)", disse o governador. "A Apeoesp é contra a avaliação e faz o possível para atrapalhar o ensino em São Paulo. A Apeoesp é contra o ensino e contra a educação. Quisemos fazer o exame nos professores temporários para melhorar a qualidade. A Apeoesp é contra e foi à Justiça. Fizemos material didático de currículo para ajudar os professores a darem aula e os alunos a terem material para estudar. Eles queimaram em praça pública. Esse é o padrão Apeoesp." (Fonte: Último Segundo)
Por curiosidade, entrei no site da referida entidade para checar o que falam a respeito. Lá eles citam a decisão judicial da juíza Maria Gabriella Pavlópoulos Spolonzi, que reafirma: a classificação da atribuição será feita por tempo de serviço e títulos. Ou seja, não importa se você não sabe nada. Se você já está dando aulas (?) há algum tempo, você tem direito a continuar dando aula, mesmo que não ensine nada. Partindo deste mesmo princípio, poderíamos permitir que os próprios alunos dessem aulas uns para os outros. Elimina-se a figura do professor (que não sabe nada mesmo) e ainda cortamos custos do Estado! Maravilha!
Por fim, e para meu profundo desagrado, vergonha e indignação, a associação cita a decisão da justiça como “Vitória Definitiva”. Permitam-me falar o que essa decisão realmente é: “Vergonha Definitiva”.
