Duas adolescentes foram flagradas por uma policial militar enquanto pichavam a entrada de uma distribuidora de alimentos do governo em Barreiras (BA). Segundo a polícia, as meninas foram obrigadas pela policial a lavarem o que haviam escrito. Elas teriam riscado, com um pedaço de carvão, ofensas contra a policial, que trabalha no local. (Fonte: G1)
Não sou cruel, mas gostei da notícia. Ver a adolescente ali então, prostrada de quatro como um animal selvagem, obrigada a limpar a própria sujeira, me deu gosto. Não encontro em mim o mínimo resquício de pena. Quando eu fazia coisa errada em casa, ou levava uns tapas corretivos ou era obrigado a arrumar a bagunça. Aliás, na vida é assim também: pagamos caro por nossas “sujeiras”, e ninguém virá (ou pelo menos não deveria) passar a mão na nossa cabeça quando cometemos algum erro de forma intencional a fim de prejudicar outrem.
Isso me faz lembrar o caso de Caroline Piveta da Mota, 23, que entrou no prédio da Bienal de São Paulo. Ela foi presa, corretamente, e posteriormente solta. Para minha surpresa, contudo, vi manifestações de apoio a uma pichadora! Hey, esperem! O que aconteceu com o mundo? Se tivessem reservado um espaço na bienal para o grafite (que eu acho de péssimo gosto, mas vai lá), tudo bem. Mas não, o espaço foi invadido e vandalizado! E me chega Vitor Ângelo, que mantém o blog Dus Infernus, e me lança a pérola: “Vejo uma manada de jovens em uma coreografia que lembrava os animais livres da savana correndo e gritando por liberdade de expressão. Não resisti, aplaudi forte como muitas outras pessoas".
Como é? Eu li direito? Liberdade de expressão? E precisa lesar patrimônio público para isso? Se eu for na casa deste cara e pichar a fachada dele, ele vai considerar isso como arte também? Pois é, acho que estamos vivendo sim é uma completa inversão de valores! Logo mais, ser correto e andar dentro da lei será punido com a prisão e repreensão dos assim auto-proclamados formadores de opinião, como é o caso do infeliz blogueiro supracitado. E não sou poucos os que torcem por uma completa barbarização de uma sociedade já caótica! Uma abaixo assinado com quase 2000 assinaturas pediu pela libertação da pichadora, na ocasião de sua prisão. Estranho, muito estranho. Lembro-me de ter visto 100 ou menos pessoas numa manifestação contra Gilmar Mendes, presidente do STF, quando este expediu 2 habeas Corpus para Daniel Dantas, funcionando como um advogado particular do maior mafioso do país.
E aqui já não cabe mais a questão de “cada um luta pelo o que acha importante”. Aqui a questão é outra. É lutar pela coisa errada. Reclamamos tanto da impunidade, mas fazemos até um abaixo-assinado para pedir a libertação de quem pratica um crime (a pichadora foi enquadrada no artigo 62 da Lei de Crimes Ambientais, sobre destruição de patrimônio cultural) e não nos manifestamos quando grandes criminosos são vergonhosamente defendidos pela mais alta corte de justiça (?) de nosso país! Eu até tento lutar pelos menos favorecidos, pelos mais pobres, etc. Mas... eles merecem? Merecem meu esforço, minha preocupação? Cada vez mais, mostram que não, certamente que não...

A propósito... a pichadora, conforme você vê na foto acima, foi detida dia 22/01/09 junto com outras duas colegas, quando saíam de uma Lojas Americanas no Itaim. Seguranças do estabelecimento disseram que elas estavam tentando furtar DVDs...
