quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Pichadora é obrigada a limpar sua pichação na Bahia

Duas adolescentes foram flagradas por uma policial militar enquanto pichavam a entrada de uma distribuidora de alimentos do governo em Barreiras (BA). Segundo a polícia, as meninas foram obrigadas pela policial a lavarem o que haviam escrito. Elas teriam riscado, com um pedaço de carvão, ofensas contra a policial, que trabalha no local. (Fonte: G1)

Não sou cruel, mas gostei da notícia. Ver a adolescente ali então, prostrada de quatro como um animal selvagem, obrigada a limpar a própria sujeira, me deu gosto. Não encontro em mim o mínimo resquício de pena. Quando eu fazia coisa errada em casa, ou levava uns tapas corretivos ou era obrigado a arrumar a bagunça. Aliás, na vida é assim também: pagamos caro por nossas “sujeiras”, e ninguém virá (ou pelo menos não deveria) passar a mão na nossa cabeça quando cometemos algum erro de forma intencional a fim de prejudicar outrem.

Isso me faz lembrar o caso de Caroline Piveta da Mota, 23, que entrou no prédio da Bienal de São Paulo. Ela foi presa, corretamente, e posteriormente solta. Para minha surpresa, contudo, vi manifestações de apoio a uma pichadora! Hey, esperem! O que aconteceu com o mundo? Se tivessem reservado um espaço na bienal para o grafite (que eu acho de péssimo gosto, mas vai lá), tudo bem. Mas não, o espaço foi invadido e vandalizado! E me chega Vitor Ângelo, que mantém o blog Dus Infernus, e me lança a pérola: “Vejo uma manada de jovens em uma coreografia que lembrava os animais livres da savana correndo e gritando por liberdade de expressão. Não resisti, aplaudi forte como muitas outras pessoas".

Como é? Eu li direito? Liberdade de expressão? E precisa lesar patrimônio público para isso? Se eu for na casa deste cara e pichar a fachada dele, ele vai considerar isso como arte também? Pois é, acho que estamos vivendo sim é uma completa inversão de valores! Logo mais, ser correto e andar dentro da lei será punido com a prisão e repreensão dos assim auto-proclamados formadores de opinião, como é o caso do infeliz blogueiro supracitado. E não sou poucos os que torcem por uma completa barbarização de uma sociedade já caótica! Uma abaixo assinado com quase 2000 assinaturas pediu pela libertação da pichadora, na ocasião de sua prisão. Estranho, muito estranho. Lembro-me de ter visto 100 ou menos pessoas numa manifestação contra Gilmar Mendes, presidente do STF, quando este expediu 2 habeas Corpus para Daniel Dantas, funcionando como um advogado particular do maior mafioso do país.

E aqui já não cabe mais a questão de “cada um luta pelo o que acha importante”. Aqui a questão é outra. É lutar pela coisa errada. Reclamamos tanto da impunidade, mas fazemos até um abaixo-assinado para pedir a libertação de quem pratica um crime (a pichadora foi enquadrada no artigo 62 da Lei de Crimes Ambientais, sobre destruição de patrimônio cultural) e não nos manifestamos quando grandes criminosos são vergonhosamente defendidos pela mais alta corte de justiça (?) de nosso país! Eu até tento lutar pelos menos favorecidos, pelos mais pobres, etc. Mas... eles merecem? Merecem meu esforço, minha preocupação? Cada vez mais, mostram que não, certamente que não...

Caroline Piveta presa por tentar furtar DVD

A propósito... a pichadora, conforme você vê na foto acima, foi detida dia 22/01/09 junto com outras duas colegas, quando saíam de uma Lojas Americanas no Itaim. Seguranças do estabelecimento disseram que elas estavam tentando furtar DVDs...

7 comentários:

Anielson S. disse...

Que isso sirva de exemplo pra outros que se acham espertinhos, e que andam praticando atos como esse: Pichar calçada com carvão para dizer o quanto não gosta da delegada! Que coisa mais idiota, nem as crianças estão tendo atitudes como essa hoje em dia! Bom seria se eles fizessem ela limpar a sujeira com a propria língua! rsrsrs. Que os outros tomem como lição, e que a impunidade não reine nesse pobre país!

fabricio disse...

O post ia muito bem até, Eu até tento lutar pelos menos favorecidos, pelos mais pobres, etc. Mas... eles merecem? Merecem meu esforço, minha preocupação? Cada vez mais, mostram que não, certamente que não...
Amigo se eu entrar no mérito sociológico vou passar 5 dias ecrevendo, então reveja um pouco seus conceitos, no mais o blog gosto do blog.

Duduziuz disse...

Olá Fabricio, não entendi muito bem... assim como o Anielson, você parece ter concordado com o "pagar pelo que fez", só que discordou do final. Teria como explicar melhor por que disto? Qualquer coisa, me mande um email! Abraços!

TONNY disse...

É ISSO AÍ, A INVERSÃO DE VALORES CORRE SOLTO NESTE PAÍS, OS BANDIDOS ANDAM SOLTOS E OS CIDADÃOS ESTÃO PRESOS EM CASA. E A POLÍCIA FAZ BLITZ COM BAFÔMETRO,E ENQUANTO ISSO MUITAS PESSOAS SAEM ARMADOS ATÉ OS DENTES, CADE AS BLITZ CONTRA AS ARMAS?????????

Araken Rezende disse...

Eu acho um absurdo as coisas que acontece, achar uma explicação social para uma atitude de vandalos? O problema é que as pessoas ficam se auto entitulando de coitadinhos ao invés de procurar um emprego ou um estudo e expressar suas idéias e rebeldia de uma outra forma. Essas pessoas devem pagar a sociedade pelo o estrago que fazem, recentemente passei pelo Rio de Janeiro de carro e fiquei abismado com o que eu vi na av. Brasil, uma das av. mais importantes da cidade e completamente tomada por sujeira de pixadores, uma av. suja, feia. Gostaria muito que as autoridades e a população tivessem vergonha na cara e fizessem alguma coisa pela a nossa cidade maravilhosa.
[]´s

Erto disse...

Bom... deixa eu limpar a garganta (rram rram)... cara. Eu acho a inversão de valores pode ser vista como uma vitória.

Nos extremos opostos, existem dois pontos de vista sobre inversão de valores e valores no geral:
- levando em conta apenas o indivíduo
- levando em conta a espécie como um todo.

São sempre opostos: se para o indivíduo importa a felicidade, tranquilidade e segurança, para a espécie isso é péssimo. A seleção natural age através das mortes daqueles que não superam as dificuldades e dos que sobrevivem perante elas.
Inclusive, é na África onde estão sendo encontrados os primeiros humanos aparentemente imunes ao HIV (não tenho certeza sobre esta informação).

Para a espécie, guerra é bom. Roubo é bom. Maldade é bom. Estupro é bom.
Para o indivíduo, não.


Ultimamente tenho pensado mais do segundo modo. Tenho pensado a humanidade - caótica, miserável, sofredora, sem medicina e tecnologia - como utópica. Como geradora de uma espécie forte. Uma espécie que sofre de menos doenças, que suporta condições mais adversas, independente de remédios, que pode sobreviver por mais tempo.

Mas claro, isso tudo fica apenas no campo das idéias, pois eu ainda quero minha internet e meu ar condicionado, pois se não houvesse o pensamento individualista, eu, que sou míope e tenho rinite, já teria sucumbido.

Porém, por outro lado, talvez não existisse miopia ou rinite e ninguém sofreria de nenhum destes "mals".

Carlos Henrique Leda disse...

Corcordo com a atitude. Tbm não tenho pena de quem faz algo de propósito. Errar faz parte, e educar tbm. Assim como agir de ma fé tbm faz parte do mundo, e aplicar punição também. Pena que esta parte os direitos humanos resolverem esquecer.
Adorei seu blog, já o add p/ sempre ler