A origem (inventada?) do povo judeu

17/01/2009

Moisés apresenta as tábuas dos 10 Mandamentos

Rei David mata o gigante Golias

Na origem da história do povo judeu há personagens como Moisés e Rei David que não possuem uma existência comprovada

É muito importante conhecer a origem dos judeus, uma vez que nosso estilo de vida ocidental descende deles. O interessante é notar que a história deste povo inicia-se num período nebuloso, sem registros históricos, sendo o Torá (base da bíblia) a única fonte das informações. Logo, temos história e ficção (partindo do suposto que Adão e Eva, Noé, etc, são apenas personagens inventados na bíblia) andando lado a lado. Nem Moisés, nem o Rei David (que derrotou o gigante filisteu Golias e quem, segundo arqueólogos, nada mais foi do que a história de um “Robin Hood” que deu certo, tornando-se o fundador de uma dinastia), nem Salomão têm amparo em registros históricos. Eles existem, tão somente, nos livros religiosos.

A saga de Moisés, o profeta que teria arrancado seu povo da escravidão no Egito e fundado a nação de Israel, tem bases muito tênues na realidade, segundo as pesquisas arqueológicas mais recentes. É praticamente certo que, em sua maioria, os israelitas tenham se originado dentro da própria Palestina, e não fugido do Egito. O próprio Moisés tem chances de ser um personagem fictício, ou tão alterado pelas lendas que se acumularam ao redor de seu nome que hoje é quase impossível saber qual foi seu papel histórico original. Moisés não poderia ter feito os hebreus saírem do Egito, nem tê-los conduzido à “terra prometida” — pelo simples fato de que, naquela época, a região estava nas mãos dos próprios egípcios! Aliás, não existe nenhum traço de revolta de escravos no reinado dos faraós, nem de uma conquista rápida de Canaã por estrangeiros. Alguns dizem que os egípcios não registravam fracassos, mas este argumento é falso: “a saída de um pequeno grupo nem era um revés, e eles relatavam derrotas sim, mesmo quando diziam que tinha sido um empate", afirma Airton José da Silva, professor de Antigo Testamento do Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto (SP). 

Tampouco há sinal ou lembrança do suntuoso reinado de Davi e Salomão. As descobertas da década passada mostram a existência de dois pequenos reinos: Israel, o mais potente; e a Judéia, cujos habitantes não sofreram exílio no século 6 a.C. Apenas as elites políticas e intelectuais tiveram de se instalar na Babilônia, e foi desse encontro decisivo com os cultos persas que nasceu o monoteísmo judaico.

Shlomo Sand, que é judeu, historiador, professor da Universidade de Tel-Aviv e autor de Comment le peuple juif fut inventé (Como foi inventado o povo judeu), afirma que o povo judeu é fruto de uma pluralidade de povos de diferentes etnias convertidos ao judaísmo ao longo dos séculos. Aliás, segundo ele, apenas na segunda metade do século XIX, começaram a pensar em Israel como nação e foram obrigados a criar um passado comum que unisse o povo judeu. Mas como nação, os judeus nunca existiram. Uma nação só é uma nação quando tem em comum a língua, o passado, os hábitos culturais. Os judeus não têm isso.

Por fim, e muito importante: os romanos nunca exilaram povo nenhum em toda a porção oriental do Mediterrâneo. Com exceção dos prisioneiros reduzidos à escravidão, os habitantes da Judéia continuaram a viver em suas terras mesmo após a destruição do Segundo Templo. Uma parte deles se converteu ao cristianismo no século 4, enquanto a maioria aderiu ao Islã, durante a conquista árabe do século 7. E os pensadores sionistas não ignoravam isso: tanto Yitzhak ben Zvi, que seria presidente de Israel, quanto David ben Gurion, fundador do país, escreveram sobre isso até 1929, ano da grande revolta palestina. Ambos mencionam, em várias ocasiões, o fato de que os camponeses da Palestina eram os descendentes dos habitantes da antiga Judéia. Então, se você não entendeu nada, vou resumir:

Historicamente, os judeus não possuem “terra prometida”, “terra natal”, nem nada, pois nunca foram uma nação. E aquele povo instalado na Palestina,que está sendo bombardeado, está lá desde tempos imemoriais e só tornou-se mulçumano após a expansão do islamismo no Oriente. Eles não são os invasores: eles estão em sua terra natal.