“Uma grande escultura de Cristo na cruz foi retirada do lado de fora de uma igreja na Grã-Bretanha porque o crucifixo, segundo o vigário, "assustava as crianças". A escultura pertence à igreja de St. John, em Broadbridge Heath, no condado de West Sussex, e deverá ser entregue ao museu Horsham para ser substituída por uma nova cruz de aço inoxidável.” (Fonte: G1)
Eu conheço um pouco do doentio gosto dos religiosos pelo sofrimento. Lembro-me que gostava de entrar nas igrejas e ver aquelas imagens fortes, como por exemplo, Jesus todo ensangüentado dentro de um caixão de vidro, ou imagem de virgens chorando sangue, ou pinturas da sangrenta crucificação de Cristo. Não me surpreende, portanto, que coloquem crucifixos com imagens agonizantes e até horripilantes (convenhamos, a cruz da igreja inglesa parece ter saído de um filme de terror).
Os religiosos parecem gostar do sofrimento de seus santos e mártires. Acho que na covardia de sacrificarem um pouco a si próprios, eles vêem no sofrimento de seus santos a expiação de seus pecados. Mas claro, há aqueles que assumem para si a tarefa da punição. O uso do cilício pelos numerários da Opus Dei, ou os loucos varridos que se pregam em cruzes na páscoa, são bons exemplos de pessoas que se mortificam em troca de nada mais além de dor e sofrimento. Aliás, usar a dor para provar a fé me parece mais uma debilidade mental, uma incapacidade de se fazer entender do que uma prova de amor por algo ou alguém.
Tem ainda os corpos incorruptos, onde o defunto (nem sempre bem conservado) fica exposto como sendo milagre (como se apenas corpos de “católicos” ficassem bem preservados, ou as múmias de Takla Makan estão mal conservadas?). Enfim, há uma espécie de adoração ao sofrimento dos mártires e certa morbidade em querer estar perto de corpos em decomposição. E tem católico que ainda acha a coisa mais sangrenta, primitiva, bárbara e pagã quando ficam sabendo que em algum terreiro andaram cortando o pescoço de uma galinha preta e esparramando o sangue pelo chão...

