Algumas pessoas me perguntam por que confrontar a religião. Por que não deixar tudo isso para lá, eu vivo o meu mundinho e os religiosos os deles? Por que ficar entrando em atrito para discutir algo que, segundo minhas reflexões, sequer existe e, logo, não valeria o esforço de debatê-la? A resposta está aí para quem quer ver. Quantas guerras não surgem em nome da religião? Quantos avanços científicos não são barrados pela superstição religiosa? Quantas pessoas não são manipuladas pelos seus clérigos, que ganham força política como se fossem representantes do governo? Quantas pessoas ainda são queimadas vivas em fogueiras por acusações de bruxaria?
E devemos combater isso em todas as frentes e lamentar quando vemos iniciativas como as de escolas ensinando o criacionismo lado a lado com as teorias científicas. Escolas tradicionais religiosas como Mackenzie, Colégio Batista e a rede de escolas adventistas do País adotam a atitude de não separar religião e ciência nas aulas, levando aos alunos a explicação cristã sobre a criação do mundo junto com os conceitos da teoria evolucionista. Por que tanto proselitismo? Por que os religiosos precisam tanto arrebatar o máximo de fiéis ignorantes para suas doutrinas dogmáticas irrefutáveis e indubitáveis? Simples. Sem a lavagem cerebral (que precisa ser feita enquanto o ser humano ainda não é capaz de discernir e pensar muito bem por si próprio, ou seja, enquanto ainda é uma criança) as religiões perderiam adeptos e com isso sua fonte de caixa. Tornar-se-iam religiões “pobres”, sem templos grandiosos nem clérigos milionários. Teríamos uma religião pura, talvez como a dos cátaros, que acreditavam que você não precisava de templos, nem orações, nem machismo, nem clérigos, nem dízimos e nem indulgências para entrar em contato com o criador, com deus.
Mas o catarismo era prejudicial demais para a religião burocrática, hierarquizada e ostentadora como a católica. Por isso que foi considerada como uma heresia e o Papa Inocêncio III convocou os fiéis para uma ação religioso-militar, conhecida como Cruzada Albigense. Sob a liderança de Simon de Montfort, no período de 1209 d.C a 1224 d.C, um contingente de trinta mil cruzados se lançou rumo ao Languedoc (região onde o catarismo estava se disseminando), não apenas combatendo os Cátaros, mas todos aqueles que se encontravam pela região. A crueldade era tamanha, que às portas da cidade os cruzados relutaram por um momento antes do confronto. Ao perguntar a Arnau de Amalric, abade de Citeaux e comandante do exército, de como distinguir entre católicos e hereges, ele respondeu: "Matai todos eles. Deus reconhecerá os seus". Apenas na cidade de Bèziers, em 1209, mais de sessenta mil sucumbiram queimados ou esquartejados. Dizem que 7 mil pessoas foram massacradas na igreja da Madalena, sendo que a cidade foi saqueada durante dois dias, sem distinção entre hereges,católicos, mulheres e crianças. Todos foram eliminados.
Então, como permitir que a influência de religiosos se amplie justamente numa época em que conseguimos nos desgarrar das cruéis correntes das instituições religiosas, que matam para impor sua vontade e doutrina? Está errado. Criacionismo não se ensina em escola, porque não é teoria e sim crença. Os “brilhantes cientistas” por trás dela agem com o seguinte pensamento: se a ciência ainda não consegue explicar porque a vida evoluiu desta maneira e nem exatamente como surgiu, então só pode ter sido deus (neste blog, “deus” é sempre escrito com letra minúscula, mesmo em início de sentença. Cabe a você substituir a palavra pelo seu deus de preferência, seja ele cristão, hindu, grego, egípcio, etc), simples assim. Vejamos alguns trechos dos livros de “ensino” do Mackenzie:
A coleção utilizada com crianças de 6 a 9 anos se chama Crescer em Sabedoria. Na capa do volume do terceiro ano estava estampado: "Ciências - Projeto Inteligente". É uma alusão ao argumento do "design inteligente":
A natureza é tão complexa e os organismos tão perfeitos que só o desígnio de um arquiteto (Deus) pode ter sido responsável por sua criação. "Quando Deus formou a Terra, criou primeiro o ambiente. Criou elementos não vivos, como o ar, a água e o solo. Depois, Deus criou os seres vivos para morarem nesse ambiente", afirma-se na pág. 10. O item 2.1 do volume se chama "O plano de Deus para os ambientes".
Pode ser lido na pág. 17: "Deus projetou as cores e as formas de cada animal e o colocou em um ambiente que era perfeito para eles [sic]. Quando um animal usa suas cores ou formas para se esconder em seu ambiente, dizemos que ele está camuflado". (Fonte: Folha)
Eu não colocaria meu filho num lugar destes. Não quero que riam ou caçoem dele. Escola é para educação, e não estupidificação.
