Barebacking: brincando com o vírus da AIDS

04/11/2008
(nesta propaganda da Benetton, um pai chora sobre o filho aidético em estado terminal)

A AIDS ainda mata muito. Cerca de 2 milhões de pessoas morreram em decorrência da doença em 2007, a maior parte na África. Você gostaria de pegar AIDS? Uma doença ainda sem cura, embora tratável com toneladas de medicamentos e seus efeitos colaterais? A não ser que você seja suicida, provavelmente sua resposta seja “Não, não quero pegar esta doença”. Mas acredite: tem gente que quer. Numa roleta russa sexual, diversos gays mantêm relações sem proteção com desconhecidos, na expectativa de contrair o vírus. É o chamado barebacking.

Comum entre os gays americanos desde os anos 90, vem ganhando força no Brasil a prática do bare-backing, em que homossexuais masculinos se expõem voluntariamente ao vírus da aids em relações sem proteção. A expressão barebacking pode ser traduzida como "cavalgada sem sela". Nessa roleta-russa da aids, um portador do HIV é chamado a participar de uma orgia. Ele pode ou não receber dinheiro por isso. Quando é contratado, o valor fica em torno de 3.000 reais. Batizado de "gift" (presente, em inglês), o soropositivo não é identificado. Todos os outros convidados, porém, sabem que na festinha há pelo menos um portador do HIV – e se divertem com o risco de ser infectados. Essa maluquice é protagonizada, em geral, por homens de 16 a 30 anos. (Fonte: Veja)

Pois é. Enquanto pessoas e famílias inteiras lutam contra a doença, jovens sem o mínimo de bom senso se expõem voluntariamente a um risco totalmente desnecessário apenas para ter mais “emoção” nas relações. Mas pense bem. Se para sentir mais emoção a pessoa precisa ir tão longe, será que ela não está usando os meios errados? Quantas são as pessoas que compram os ideais de felicidade e realização de outros, mas estes não se adéquam a elas? Sabe aquela pessoa que acha que bebendo (ou coisa pior) tanto ou mais que os amigos, conseguirá ser tão feliz quanto estes são (ou aparentam ser)? Talvez a juventude esteja perdida no meio de todo o ideal de “vida perfeita” que a mídia prega: sexo, drogas, baladas, roupas da moda, restaurantes chiques, corpo perfeito, etc.

Eu me encontro entre o sentimento de dó e repulsa por esse tipo de gente. Repulsa porque é o tipo de gente que eu não quero perto nem de mim, nem de ninguém que eu goste. E dó pelo fato de que, talvez, este comportamento típico de uma alma perdida neste mundo seja resultado de uma criação pobre por parte dos familiares ou da sociedade. De qualquer forma, é triste ver que num mundo com tantos problemas, muitos lutam para resolvê-los e outros parecem dispostos a criar ainda mais. É um tipo de egoísmo da pior espécie possível.

Uma juventude em busca de diversão e prazer, que se esquece que a vida é feita de altos e baixos, de ganhos e perdas e que, muitas vezes, você precisará fazer algo que não gosta para obter algo que deseja. Perdeu-se a noção de recompensa. Não que seja condenável alguém ganhar um presente de qualquer espécie. Mas onde reside a graça numa vida sem esforços? Onde se tem tudo, onde se pode tudo? Em nenhum lugar. E é neste vazio de não encontrar uma base sólida para a felicidade que se usam drogas aos montes, arrisca-se a própria vida em troca de um pouquinho (e não mais do que apenas um pouquinho) a mais de excitação, etc. Por isso, não se iluda com o que você vê na TV ou nos filmes. Se você consegue ser feliz levando aquela vidinha pacata que é motivo de chacota e ostracismo na mídia, você provavelmente já é muito mais feliz do que aqueles rebeldes em busca de “algo mais” jamais serão.