Um dos argumentos dos religiosos sobre os benefícios das religiões, é que sem elas não haveria um código de ética e moral para seguirmos, e a civilização cairia numa anarquia do tipo cada um por si. Será? O professor assistente da faculdade de Psicologia de Harvard, Joshua Greene, propôs um teste interessante. Responda a cada questão e depois prossiga a leitura.
Questão 1: Um trem vai atingir 5 pessoas que trabalham desprevenidas sobre os trilhos. Porém, você tem a chance de evitar a horrível tragédia acionando uma alavanca que levará o trem para outra linha, onde ele atingirá somente uma pessoa. Você mudaria o trajeto, salvando as 5 pessoas e matando apenas 1?
Questão 2: Um trem, em alta velocidade, irá atingir 5 pessoas que trabalham desprevenidas sobre os trilhos. Porém, agora só há uma única linha. O trem pode ser parado por algo grande e pesado jogado à sua frente. Um homem alto e forte está ao seu lado. Se você empurrá-lo para linha, o trem irá parar, salvando as 5 pessoas, mas matando o homem que foi jogado sobre a linha. Você empurraria o homem?
Caso tenha respondido sim à questão 1, você faz parte da maioria. A ética utilitária há tempos tem asseverado que a ação moralmente correta é aquela que gera “o maior benefício para o maior número”. Melhor que morra um do que cinco. E determinar o maior benefício, segundo o filósofo alemão Immanuel Kant, é a função da razão. Caso tenha respondido não à questão 2, você também está com a maioria. Mas afinal, por que na primeira questão você mataria um para salvar vários, mas não faria o mesmo na segunda questão?
Através de imagens de ressonância magnética, mapearam a atividade cerebral enquanto voluntários respondiam às perguntas. Descobriram que criamos um bloqueio emocional quando pensamos em empurrar o homem para a morte, e as regiões emocionais do cérebro se acendem. Essas regiões se mantêm silenciosas no caso de acionar a alavanca. Parece que o filósofo escocês David Hume estava certo quando insistiu que “as regras da moralidade não são conclusões da nossa razão”, mas das nossas emoções. Recentemente, Antônio Damásio, da Universidade da Califórnia, descobriu algo mais interessante. Pessoas com lesões na área cerebral ligada à empatia e à compaixão, o córtex pré-frontal ventromedial, não têm quaisquer escrúpulos quanto a empurrar o homem da ponte.
Este tipo de estudo, inaugurou uma nova área de estudo: a neurofilosofia, ou seja, estudar até que ponto os processos eletros-químico do cérebro interferem nas nossas tomadas de decisões. Embora haja variações culturais, as respostas se assemelham nas mais diversas culturas. Ainda é cedo para afirmar que temos uma moral embutida em nossos cérebros desde que nascemos. Mas sabendo da participação de processos neurológicos em questões morais e éticas, poderemos lidar melhor com possíveis dilemas. Mas os cientistas sabem que somos tão animais como os demais e que há muito de instinto em nosso modo de ser e agir. Inclusive, mesmo entre os animais há altruísmo e empatia. Se não acredita, confira no vídeo abaixo, onde um hipopótamo tenta salvar um animal de outra espécie das garras de um crocodilo.
