A favor da legalização da maconha

13/07/2008

Talvez seja necessário você reler 2 posts antes de prosseguir com este: um sobre os males do álcool, e outro sobre os males do cigarro de tabaco.

Eu não gosto de drogas. Isso inclui a maconha. Mas como assim ser a favor da legalização? Há inúmeros fatores que me levaram a tomar esta posição. Isso não foi resultado de uma simples conversa ou de ler um ou outro artigo. Tampouco é uma posição intransigente a respeito do tema. Vejamos:

Primeiramente, você precisa saber o que está por detrás da proibição da maconha. Copiando um trecho da excelente reportagem de Super Interessante, as coisas começarão a ficar mais claras:

"(...) Tem a ver [a proibição da maconha] com o preconceito contra árabes, chineses, mexicanos e negros, usuários freqüentes de maconha no começo do século XX. Deve muito aos interesses de indústrias poderosas dos anos 20, que vendiam tecidos sintéticos e papel e queriam se livrar de um concorrente, o cânhamo. Tem raízes também na bem-sucedida estratégia de dominação dos Estados Unidos sobre o planeta. E, é claro, guarda relação com o moralismo judaico-cristão (e principalmente protestante-puritano), que não aceita a idéia do prazer sem merecimento - pelo mesmo motivo, no passado, condenou-se a masturbação (...)"

Basicamente, no começo do séc. XX, nos EUA, muitos imigrantes mexicanos fumavam maconha. No Brasil, os escravos recém-libertados também o faziam. Oras, se você não pode proibir que esta gentalha (na visão das elites) ande por aí no meio dos seus filhos brancos e puros, o que fazer? Torne um crime o consumo da maconha, assim você poderá prendê-los e limpar as ruas. Não havia nenhum problema de saúde ou caos social: a proibição tinha apenas um propósito de controle social por parte das elites. Sucessivas pesquisas, encomendadas pelo próprio governo dos EUA, nunca comprovaram nenhum efeito negativo sobre a saúde dos usuários da maconha.

Apenas este ano, foi que cientistas da Nova Zelândia puderam comprovar algum mal relacionado ao fumo da maconha. Como toda fumaça, ela causa câncer. Cerca de 50 substâncias cancerígenas são comuns à fumaça do tabaco e da maconha. O estudo da Nova Zelândia é um dos mais bem aceitos, pois, até então era difícil realizar este tipo de estudo, já que muitas pessoas misturam tabaco com a maconha ou, simplesmente, fumam maconha e cigarros. Na Nova Zelândia, esta mistura é mais incomum.

Diferentemente do que o senso comum prega, maconha não é capaz de causar dependência física. Na verdade: "(...) os efeitos psicológicos tendem a predominar sobre os fisiológicos. Resumidamente, pode-se dizer que a maconha provoca uma leve euforia, distorções espaço-temporais, alteração do humor, taquicardia, dilatação dos vasos sanguíneos oculares, secura da boca e tontura." e "Estudos têm mostrado que, mesmo em usuários crônicos, a retirada súbita da droga não causa nenhum sintoma agudo, isto é, não se observa nenhuma dependência física da droga." (Fonte: UFSC)

Como muitas outras ervas, a cannabis sativa possui propriedades medicinais. O cannabinóide tetrahidrocannabinol, é capaz de destruir células de leucêmicas. "A maconha é uma das substâncias mais seguras que existem”, foi com essa convicção que o neurocientista e farmacologista Daniele Piomelli, considerado um dos maiores especialistas do mundo no assunto, defendeu o uso medicinal da polêmica erva. Pessoas com esclerose múltipla também têm benefícios ao fumar maconha, diversas pesquisas já mostraram isso. Ela também ajuda no combate a diversos outros problemas, como estresse, pressão alta, ansiedade, insônia, perda de apetite, cólicas menstruais e problemas intestinais.

Mas, por que legalizar? Bem, se a maconha não tem o potencial de causar problemas como o cigarro e o álcool, não faz sentido liberar estes e proibir aquela. Ou proibe-se tudo, ou libera-se tudo, já que dos 3, a maconha é o menos prejudicial. O governo deveria apenas supervisionar toda a cadeia de produção, a fim de garantir a qualidade e o pagamento de impostos. O dinheiro seria revertido para campanhas anti-drogas e para financiar a repressão às drogas verdadeiramente perigosas, como cocaína, crack, heroína, etc. O tráfico perderia parte de sua força, embora isso não seja capaz de reduzir a criminalidade a curto prazo. E claro, dever-se-ia proibir o consumo de maconha E de cigarro (principalmente deste) em ambientes fechados ou com crianças (sim, isso inclui até mesmo dentro da sua própria casa).

Talvez você, como eu, não goste de maconha e não aprove seu uso. Mas, convenhamos, não há argumentos científicos para mantê-la como droga ilícita.