Sábado, 22 de Novembro de 2008

Desde pouco antes das eleições de 2008 aqui do Brasil, este blog começou a ser mais acessado. A média de visitantes saltou de menos de 10 ao dia para mais de 300 e vem se mantendo assim. Contudo, nunca tive a ilusão de achar que este é a real quantidade de leitores. Muitos “tropeçam” neste blog enquanto procuram por algum conteúdo em específico. De qualquer forma, no geral, a quantidade de leitores (esporádicos ou não) certamente aumentou.

O blog tem recebido mais comentários e alguns me contatam por email. Embora o blog seja uma maneira pessoal de registrar minhas opiniões e me “forçar” a pesquisar melhor sobre determinados temas, certamente é gratificante ver comentários. Sejam comentários a favor ou contra, é interessante saber a opinião e argumento dos outros, até para estar em constante aperfeiçoamento de idéias e conceitos.

Os assuntos sobre os quais escrevo são aqueles sobre os quais tenho real interesse. E é sorte saber que, de vez em quando, alguém encontra estes textos pela internet, lê e também se interessa. E melhor ainda: comenta. Por isso, como uma pessoa já me recomendou, será interessante sim quando começarem a sugerir temas a serem pesquisados/debatidos neste blog. Se casar com o que eu quero, certamente escreverei a respeito. Muitos dos posts surgem assim mesmo, inclusive. Nas conversas com um amigo meu, que também mantém um blog, alguns temas se sobressaem e eu acabo escrevendo a respeito. É uma maneira indireta de “sugestão”.

Por fim, vale lembrar que eu leio sim todos os comentários (mesmo em posts antigos), pois todo novo comentário me chega por email. Posso não concordar e não responder, mas leio com atenção e alguns já me fizeram repensar algumas coisas que escrevi.

 
(A Casas Bahia, abriu as portas da Super Casas Bahia. A maior loja sazonal do mundo ocupa 151.600 m2 do Pavilhão do Anhembi. O evento, que recebeu investimento de R$ 20 milhões, tem a expectativa de faturar R$ 80 milhões e receber a visita de 2 milhões de pessoas em 41 dias de funcionamento. Alguém esqueceu de avisar os consumidores deles que estamos em crise!)

Fico indignado em ver a tendenciosidade e sensacionalismo com os quais alguns elementos da mídia e da blogosfera cobram o desenrolar da crise financeira. Conforme já falado neste blog, a crise é séria sim. Mas nem de longe é o lobo-mau que muitos querem fazer você acreditar. Enquanto muitos exploram o que há de pior na crise, vamos a alguns fatos positivos a respeito.

1-) A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) informou que o PIB dos 30 países que integram o grupo retraiu 0,1% entre julho e setembro, na comparação com o trimestre anterior. Em relação ao mesmo período do ano passado, no entanto, o PIB avançou 0,9%. Além do mais, as economias da OCDE entrarão em recessão e irão encolher 0,3% no próximo ano, para apresentar recuperação em 2010, com um crescimento do PIB de 1,5%. Bom, em apenas 1 ano, desculpem-me os sensacionalistas de plantão, o mundo econômico e financeiro não irá virar pó como eles querem.

2-) Um destaque na criação de empregos será o setor da construção civil. Com os recursos que já foram aprovados pelo Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), é possível, de acordo com o ministro [do Trabalho e Emprego], vislumbrar a criação de 1,378 milhão de vagas, diretamente relacionadas com a distribuição de recursos em três linhas principais do fundo. Ou seja, em plena crise, o Brasil irá continuar gerando empregos. Não, a fila do sopão não vai aumentar tanto quanto desejam os desesperados sensacionalistas.

3-) Apesar de uma semana marcada pela desvalorização do real em relação ao dólar e por quedas na Bovespa, "muitos economistas ainda acreditam que o Brasil sairá relativamente ileso da crise financeira global", segundo o "Financial Times" ("FT"). "O setor bancário [do Brasil] passou por uma reestruturação promovida pelo governo nos anos 90 e têm pouco da exposição a ativos de risco afetando os bancos americanos e europeus", diz o "Financial Times", acrescentando que apenas cerca de 10% do crédito bancário no país é levantado fora do Brasil. Ou seja, eu sei que os sensacionalistas anti-PT, anti-Lula, anti-socialismo, adeptos do “quanto pior, melhor”, desejam mais do que tudo noticiar que o crédito brasileiro “secou”, como aconteceu lá fora. Mas, para infelicidade deles, conforme explicado pelo renomado jornal Financial Times, não estamos expostos assim a este risco.

4-) Para o superintendente geral da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), José Pereira Gonçalves, essa modalidade [crédito imobiliário] não será muito afetada "já que os preços dos imóveis não aumentarão e os juros e correções continuarão vantajosos para os consumidores". Novamente, se um representante de entidades de crédito diz que há condições de crédito, por que será que tanta gente torce e insiste em dizer o contrário?

5-) "A despeito do cenário de crise que se apresentou nos últimos três meses, mesmo com ela, os cartões cresceram acima de 20% em faturamento. Não só fechamos a expectativa de crescimento de 22,1% no ano em faturamento como este será o melhor Natal da indústria de cartões de crédito", afirmou o diretor de Marketing de Cartões do Banco Itaú, Fernando Chacon. Bom, temos novamente uma evidência que o crédito por aqui ainda se mantém. Afinal, insisto, por que torcer tão contra o Brasil? Por que noticiar o medo e espalhar o terrorismo na população?

6-) O diretor-executivo do Bradesco, Domingos Figueiredo, disse hoje em Madri que a economia brasileira será uma das que menos sofrerão com a crise financeira global, pois "ainda tem espaço para enfrentar bem este difícil período". Diante das boas perspectivas apresentadas pelo setor bancário do país, o Bradesco pretende abrir 500 novas filiais nos próximos cinco anos e investir em novas tecnologias para "melhorar o índice de eficácia" da entidade, acrescentou. Bom, se um banqueiro (quem melhor para saber sobre os mercados do que eles?) está confiante e irá abrir filiais (e gerar emprego, renda, etc) em plena crise, me pergunto: cadê a crise, afinal? Onde está o apocalipse anunciado pela mídia rancorosa?

7-) O economista Michael Spence, prêmio Nobel em 2001, é otimista em relação à possibilidade de o Brasil sofrer efeitos limitados da crise financeira internacional. Para ele, o desempenho dos países em desenvolvimento será determinante para que a economia global passe apenas por uma forte desaceleração ou acabe entrando em um período de recessão. Hey, hey! Me corrijam se estiver errado! Mas um economista (deve entender de economia), ganhador de um prêmio Nobel (deve entender POUCO de economia, pelo visto), está otimista em relação ao Brasil? Ué? Então, por que os adeptos do apocalipse financeiro insistem em espalhar o pânico entre os menos informados? Não se deixe enganar pelos profetas do fim-do-mundo: a crise é séria, mas sobreviveremos.

Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

(Nie Glassie, de 3 anos, e seu assassino, Wiremu Curtis. A criança morreu por lesões cerebrais por receber chutes na cabeça)
 

Wiremu Curtis, 19, e seu irmão, Michael, 22, ainda não receberam a sentença, mas podem ser condenados à prisão perpétua pelo homicídio de Nia Glassie.

Nia morreu devido a lesões cerebrais em um hospital neozelandês no dia 3 de agosto de 2007, duas semanas depois de receber fortes chutes na cabeça. Ela foi espancada, colocada dentro de uma secadora de roupas ligada na potência máxima e dentro de um sofá dobrável --e depois seus agressores sentaram em cima. Nia foi colocada em cima de fogo, empurrada em pilhas de lixo, arrastada seminua por um tanque de areia, arremessada contra uma parede, jogada no chão, e os agressores imitaram golpes de um jogo de computador de luta usando a criança como alvo.

Além disso tudo, Nia foi colocada em um varal giratório no quintal da casa em que vivia, e o varal foi girado até que ela fosse arremessada para longe. Ela também chegou a ficar 36 horas inconsciente, sem cuidados médicos. (Fonte: Folha)

Tão chocante quanto saber que um ser humano é capaz de tamanha crueldade, foi saber que membros da família e vizinhos sabiam que Nia estava sofrendo abusos e negligência, mas nada fizeram. Por isso que eu repito: isso de não se meter na vida dos outros é válido só até saber que os limites que os limites foram passados. Neste caso, é praticamente um dever intervir ou chamar uma autoridade competente para fazê-lo.

No filme “Um crime americano” (An American Crime, EUA, 2007), fica claro o quanto é desumano tanto quem tortura quanto quem é conivente com o crime. O drama em questão me enoja só de lembrar o desenrolar dos fatos, e recomendo a quem quiser adquirir uma visão mais crítica e (por que não?) passional a respeito destes casos.

Se todos denunciassem locais suspeitos de serem cativeiros, teríamos seqüestros mais curtos. Se denunciassem maridos violentos, teríamos menos mulheres espancadas, traumatizadas e mesmo mortas. Se denunciassem crianças sofrendo abusos, teríamos uma juventude mais saudável. Se denunciassem os esquemas de corrupção, teríamos um mundo melhor para todos.

Estiver conversando estes dias sobre algo que é recorrente quando se discute sobre assuntos como política, religião e história: para quê saber? A pergunta é mais pertinente do que parece, e muitas pessoas realmente não fazem questão de se manterem informadas sobre assuntos e temas que não estejam estritamente relacionados ao seu cotidiano. Embora este seja um tema amplo e sério o suficiente para ser tratado por especialistas no assunto, como educadores e filósofos, me arrisco a expor minha visão pessoal e prática sobre a importância de se saber mais do que o mínimo.

Primeiramente, precisamos saber o que é o mínimo e o que está além dele. O mínimo é o conhecimento que precisamos para viver. Isso inclui aquele necessário para desempenhar bem o trabalho, os estudos obrigatórios para se obter um diploma e conhecer as regras mínimas de convivência em sociedade (simplificando, seria a ética). Para além deste mínimo, temos conhecimentos em diversas áreas que podem ser cultivados: entretenimento, esportes, artes, tecnologia, política, religião, ciências, etc. No âmbito pessoal, não há área mais ou menos louvável. Se você gosta e se dedica às artes, ótimo. Mas no âmbito coletivo, podemos dizer que conhecer, por exemplo, sobre política seria essencial.

A política deveria ser prioridade, aliás. Platão já dizia que nenhum cidadão estaria realmente exercendo sua cidadania se não fizesse parte da política local. Mas a política traz consigo a necessidade de se conhecer outras áreas, como história, geografia e religião. Povos politizados tendem a conter a tirania de governos autoritários e promover melhorias em benefício geral da nação. E o contrário também é verdade. Mas para além do conhecimento sobre política, seria importante saber muito mais?

Certamente, uma pessoa com uma vasta gama de conhecimentos é mais interessante em todos os círculos: profissional, pessoal, passional, etc. Além disso, pessoas com conhecimentos em diversas áreas tornam-se menos manipuláveis e mais influentes. Indo ainda mais além do conhecimento prático do mundo, temos a pura reflexão e filosofia. Pessoas que pensam sobre questões existenciais tendem a conhecer melhor a si mesmas e adquirem objetivos de vida mais claros (mesmo que seja passar a vida pensando sobre a vida). Provavelmente, seguindo a lógica dos fatos, também devem ser pessoas menos propensas às seduções da mídia e dos pensamentos massificados (como a idéia de nascer, crescer, se casar, ter filhos, envelhecer e morrer). São pessoas em busca de algo mais, constantemente incomodadas com o absurdo da existência, da consciência.

Por fim, saber, refletir seria bom? Bem, se você se contenta com aquela vidinha (sim, estou desprezando isso) pacata e previsível, se você é feliz com isso, eu diria que não seria bom. A verdade pode criar um vácuo de sentido nas coisas que poderia levar à constante depressão e tristeza em viver. Mas se você se incomoda com injustiças praticadas ou tem aquelas pequenas perguntas dentro de você que o incomodam, eu diria que é primordial adquirir conhecimento e/ou refletir para não acabar angustiado e, ainda, reverter esse estado em coisas boas para você e/ou para os outros.

Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

(Nélio Machado e Daniel Dantas)

Os advogados de Daniel Dantas e demais réus indiciados após a Operação Satiagraha, apontam que houve excessos por parte das autoridades durantes as investigações. Realmente, independente do mérito da questão, a lei deve ser respeitada. Isso garante o bom ordenamento institucional de uma nação. A questão aqui é que a lei precisaria ser revista, pois, se ela atrapalhou a investigação de poderosos mafiosos, então não é justa e isenta o suficiente para ser considerada algo feita para o bom ordenamento jurídico e para o bem da nação.

Outro fato que salta aos olhos, é que Daniel Dantas, O Poderoso Chefão, conseguiu se manter longe da mídia e desviou o foco das investigações para aqueles que o investigaram. Novamente, tanto quanto é importante respeitar as leis, é importante manter todo o rigor da investigação e analisar tudo o que foi levantado, de forma a punir qualquer conduta criminosa com o (brando) rigor da lei brasileira. Paralelamente, ainda, analisar e punir qualquer excesso cometido por autoridades. Claro, não estamos num “Estado de Polícia”, como quer fazer acreditar Gilmar Mendes. Na verdade, ainda somos bem conhecidos como a “Terra da Impunidade”, o extremo oposto. E Daniel Dantas solto é prova cabal disto.

A moral de história é a seguinte: investigar os criminosos poderosos do Brasil tem seu preço. O corajoso juiz Fausto De Sanctis está para ser processado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), após Raul Jungmann (PPS-PE) ter acusado o magistrado de repassar a policiais federais senhas que dão acesso irrestrito a cadastros e históricos de ligações. Oras me pergunto: afinal, por que um deputado, que está sempre tão preocupado em fazer suas politicagens lá por Brasília, sai da sua rotina para apurar a conduta de um juiz? Será mesmo que o deputado está interessado em assegurar que a investigação foi feita dentro da lei? Ou será que eles está mais interessado em arrumar evidências que possam anular o processo contra Daniel Dantas?

Em outra frente de ataque ao juiz, pela anulação do processo, os advogados de Dantas diziam que De Sanctis estaria sendo muito parcial no caso, já que estava alinhado com Protógenes Queiroz, delegado que conduziu as operações. Nélio Machado entrou com um pedido de afastamento do juiz no TRF, mas foi recusado. Mas o advogado é insistente. Machado protocolou, em seis meses, 30 habeas corpus e quatro medidas judiciais para barrar as investigações da Satiagraha e impedir o juiz de julgar o caso. De qualquer forma, com a aproximação da data final para julgamento e recente vitória no TRF, o juiz conseguiu se manter à frente do processo (precisando ainda recusar gentilmente uma promoção para desembargador) podendo, assim, continuar realizando seu trabalho incansável contra a corrupção e lavagem de dinheiro. Aliás, excelentes trabalhos. Com fama de rigoroso, já condenou o doleiro Toninho da Barcelona, seqüestrou obras de arte do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira e pediu a prisão do magnata russo Boris Berezovsky, suspeito de ser um dos investidores ocultos do Corinthians.

É triste ver que as leis de nosso país punem os corretos e anistiam os mafiosos. Mas é reconfortante ver que há gente trabalhando por um país melhor. Talvez, com tantos recursos que as leis provêm para os criminosos, Dantas não fique preso por muito tempo (se vier a ser). Mas com certeza as coisas começarão a mudar.

Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

(380 jovens se revezam em grupos de 20, às margens da Marginal Tietê há 3 meses)

Estamos na maior cidade de todo o hemisfério sul e uma das maiores do planeta. Isso traz algumas conseqüências ruins, como violência, trânsito e desemprego, mas outras tantas benesses, como diversas opções de lazer, cultura e entretenimento. Há mais de 200 baladas para todos os gostos, cerca de 12.500 restaurantes com 42 tipos de cozinha, mais de 8000 pizzarias, 80 salas de cinema, 88 museus, 120 teatros, 27 eventos culturais, 75 bibliotecas, 41 áreas de patrimônio, 41 festas populares, 72 shopping centers, 53 parques e áreas verdes, 39 centros culturais, enfim. Tem muito o que se fazer em São Paulo.

Com tudo isso, qual não foi minha surpresa ao saber que há estudantes acampados no Anhembi por causa de um show da banda mexicana RBD! Sim, até é aceitável ficar acampado uma ou até duas semanas antes para garantir um bom lugar. Mas o grupo em questão está acampado desde Agosto para um show que irá ocorrer só em Novembro, ou seja, quase 4 meses depois! Como alguém consegue resumir sua vida a um show de uma banda que deve durar aí umas 2 horas? Eu fico imaginando o papinho dentro das barracas do acampamento. Algo sempre diferente e produtivo: RBD, RBD e RBD. Será que não enjoa?

Agora, vamos à prova da imbecilidade e anencefalia total destes jovens:

Sei que tem gente que nos critica. Que acha que a gente é doido. Se a gente estivesse por aí em balada funk, fazendo essas danças indecentes, se drogando escondido, ninguém ia criticar. Mas como a gente está aqui, se expondo para declarar o nosso amor a uma banda que só canta coisas boas como a amizade e o carinho, aí todo mundo fala mal”. Meu amigo! Tanto o funk é passível de crítica quanto o seu “amor”! Deixar de viver só para garantir um espaço melhor num único show, não é prova de amor: é atestado de falta de personalidade. Alguém que não sabe, sequer, o que gosta de fazer para passar o tempo e aproveitar a vida.

Questionados pela reportagem sobre o que iriam fazer após o último show, Cássio falou por todos: “A gente deixou para pensar nisso depois. Mas aí, acho que a gente vai voltar a ter uma vida ‘normal'.” Mas que sandice é essa? Lembram do que eu falei? Do papinho na barraca? Pelo visto é verdade! Pois, se em 3 meses eles ainda não sabem o que farão quando o show acabar, é sinal de que a conversa nunca muda muito de tema mesmo! Segue a juventude alienada e sem rumo através de um mundo riquíssimo de experiências e vivências. Só espero mesmo que esse povo perceba a tempo que existe um planeta inteiro a se explorar, culturas inteiras para se conhecer, uma vida inteira para se experimentar. E espero que os pais delas sejam melhores que os filhos, senão as próximas gerações estarão condenadas à total imbecilidade e despersonificação. Um povo facilmente manipulável, alheio à maravilha da vida, que nasce, cresce, se reproduz e morre - e fim.

(foto recente da região da 25 de Março. Crise? Que crise?)

Estamos tão mal assim? A crise vai acabar com nossos empregos? A inflação vai explodir? Vamos ficar pobres? O mundo passará fome? Se você estiver sintonizado com o PIG, ou seja, a mídia de direita que quer acabar com o Brasil, provavelmente você deve estar desesperado. Se você assistir a um telejornal, acho que começará a poupar dinheiro no colchão, pois nem nos bancos confiará mais. Talvez comece até a estocar comida. Leia o post anterior, onde falo sobre o terror e medo que a mídia faz sobre a crise, e assim você entenderá melhor o que acontece.

Sim, a crise é mundial e estamos sendo afetados por ela. Mas não seremos dizimados por ela. Na verdade, muitos nem sentirão, pois, quando seus bolsos realmente começarem a ser afetados, o mundo já estará se recuperando e, por tabela, o Brasil também. Reuni aqui alguns indicadores econômicos, pesquisas e projeções que mostram que as coisas não estão tão mal assim. E muitas coisas que não vão bem, na verdade, não vão bem desde bem antes da crise. Veja abaixo e tire suas próprias conclusões e lembre-se de separar o terrorismo dos fatos naquilo que o PIG divulga.

- a venda de veículos diminuiu. Estamos em crise? Não é bem assim. Embora tenha caído 11,58% em outubro, nem sempre avisam que em Setembro houve crescimento, assim como quase ao longo do ano inteiro. Não é uma “desaceleração”, apenas uma flutuação normal da oferta/demanda. Aliás, as vendas aumentaram 23,14% no acumulado do ano sobre o mesmo intervalo do ano passado. Segundo a Fenabrave, as vendas do setor devem aumentar entre 18% e 19% no fechamento deste ano. Contudo, em 2009, a entidade estima um crescimento de 9%. Ué, se prevê crescimento, onde está a crise? Aliás, o presidente da Fenabrave simplesmente se pergunta isso: “Que crise? Inflação sob controle, demanda aquecida. Vamos continuar crescendo”;

- a venda de motocicletas também diminuiu. Crise? Espera aí. Mesmo registrando queda de produção e vendas, o saldo continua positivo, projetando continuidade de crescimento, a mesma demanda de intenção de compra e a consolidação do segmento no setor de transportes. Prova disso é que de janeiro a outubro de 2008 foram produzidas 358.272 unidades a mais que no ano passado, um crescimento do setor de 24,2%, segundo a Abraciclo. De acordo com Paulo Takeuchi, presidente da Abraciclo, simplesmente não há ainda uma queda na demanda;

- a GM anunciou férias coletivas e pode começar a demitir. O Brasil está em crise? Não, a GM está em crise. A fábrica em questão é muito grande, e depende de grande demanda para se manter. Qualquer oscilação para baixo, gera resultados negativos. A empresa já estava com dificuldades antes da crise. Está com prejuízo há quatro anos. Juntando tudo, o prejuízo somado é de US$ 72 bilhões de dólares. Só quem reduzia esse rombo é o desempenho de filiais como as da China e do Brasil;

- economista recomenda reduzir gastos no Natal. Mais terrorismo do PIG, claro. Querem matar a gente? Como assim gaste menos? A ordem agora é gastar, mais do que nunca! Colocar dinheiro em circulação! Claro, você não deve se endividar, ou seja, gaste o que tem. Mas gaste! No momento em que mais precisamos de dinheiro em circulação, alguém vem falar para poupar? É um contra-senso sem tamanho!

- a taxa de desemprego ficou estável em 7,6% em Setembro, próximo da mínima histórica. Afinal, se os empregos estão se mantendo, onde está a crise? Aliás, não é apenas o emprego! O rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores subiu 0,9% frente a agosto, passando para R$ 1.267,30. Na comparação com setembro de 2007, o quadro também foi de recuperação (6,4%). Afinal, se as pessoas estão conseguindo emprego e ganhando mais, onde está a crise que o PIG tanto faz questão de anunciar? Está lá fora, ainda, claro;

- a produção das fábricas instaladas no país teve aumento mensal de 1,7% e um ganho de 9,8% em relação a setembro de 2007. De janeiro a setembro, a produção industrial teve crescimento de 6,5% e nos últimos 12 meses, de 6,8%. O uso da capacidade instalada, indicador que pode sinalizar eventuais pressões inflacionárias, aumentou em setembro após um recuo no mês anterior, segundo a CNI. A expansão foi de 0,3% para 83,3%. Ou seja, nossas indústrias andam fazendo turnos para conseguir suprir a demanda por produtos. Se tem tanta gente comprando, pergunto de novo, cadê a crise?

- a inflação no Brasil chegou a 5,23% este ano, após avançar 0,45% em outubro, impulsionada por uma nova alta nos preços dos alimentos e pode superar a margem de tolerância à meta anual, que vai até 6,5%. Mesmo se estourar esta meta, não será tão significativo. E com o mundo em desaceleração econômica, a inflação fica mais fácil de ser controlada. Se a inflação não está explodindo, se estamos bem próximos da meta mesmo no meio da “crise”, me pergunto de novo: a crise nos consumirá, como quer fazer acreditar o PIG?

- a projeção do crescimento do PIB brasileiro para 2009 é de 3,13 por cento. O que isso significa? Que vamos sim continuar crescendo. Ué? Se vamos continuar crescendo num bom ritmo, então onde está a crise?

- Falta emprego? Está difícil conseguir um local no mercado? Talvez você precise se esforçar um pouco mais, estudar mais. Reclamar que a situação está difícil, sentado no sofá, não adianta muito. Veja alguns dados sobre o emprego que sobra no Brasil, todos colhidos neste fim de ano (ou seja, em plena “crise”):

  • No ramo de engenharia, segundo um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Brasil tem hoje seis engenheiros para cada grupo de 100 000 pessoas, quando eles deveriam ser pelos menos 25 por 100 000 habitantes para dar conta das vagas atualmente abertas. Há empregos sobrando no Brasil;
  • Entre 15 e 20 novas vagas na área de tecnologia são abertas no site de recrutamento da Elancers todos os dias. O mercado de trabalho em tecnologia no Brasil não aparenta sinais de retração, apesar da crise, segundo Cezar Antonio Tegon, diretor presidente da companhia de e-recrutamento;
  • Em Curitiba, neste ano, a média diária de disponibilização de vagas passou de 900 para 3000, segundo as informações da gerência geral da Agência do Trabalhador — 233% a mais;
  • Em Pernambuco, na indústria do vestuário o percentual de máquinas paradas chega a 20%, e os empresários culpam a falta de gente qualificada pelo problema;
  • Em São Paulo, todos os dias, cerca de cinco mil pessoas procuram os seis postos do Centro de Apoio ao Trabalho (antigo Centro de Solidariedade do Trabalhador). Mesmo assim, há 14 mil vagas em aberto;
  • No Paraná, no ramo da construção civil, o saldo entre admissões e demissões ficou em 11,5 mil vagas, com crescimento de 99% sobre o mesmo período do ano passado e aumento de 15,8% no estoque de empregados. Até o fim do ano, o número deve chegar a 17 mil, mais que o dobro de 2007 (8 mil);
  • A Associação Brasileira de Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Assertem) divulgou nesta quinta-feira que  o número de vagas temporárias abertas devido ao fim de ano deve chegar a 113.000 (não, você não leu errado);

O governo mudou as regras dos compulsórios para injetar mais dinheiro no mercado. Diminuindo a quantidade de dinheiro que o banco é obrigado a deixar depositado no BC, sobra mais dinheiro para o banco emprestar. São dezenas de bilhões de reais que poderiam ir para a economia. E por que as taxas de juros dos bancos estão subindo? Simples. Os bancos preferem pegar o dinheiro que sobra e comprar títulos do governo, que é rentável graças à taxa de juros da Selic que é de 13,75%. Há ainda a razão meramente capitalista-predatória: eles não abaixam para continuar lucrando tanto com os juros altos do governo, quanto com os juros altos para o consumidor. Agora, banco vir a público dizer que tem receio de emprestar, é um insulto. Como você pode ver, o Brasil NÃO está quebrado. Muito pelo contrário.

Estes são apenas alguns dados que mostram que a crise, felizmente, não é como querem que você acredite. Embora estejamos entrando num período de recessão, isto é normal no capitalismo. É uma acomodação natural entre oferta/demanda que tende a se equalizar. “Ah, mas a bolsa está despencando!”. E daí? Isso não muda nada na nossa economia. Só muda para quem entrou no mercado de ações e, diga-se de passagem, quem entra sabe dos riscos que está correndo. Não se deixe enganar pelo PIG. O Brasil não vai quebrar da noite para o dia. Veja os fatos e esqueça o terrorismo midiático.