(Parece igreja, funciona como uma igreja, é frequentada por religiosos, mas este é o Museu da Criação. Local onde homens de má-fé usam a ciência de forma deturpada para tentar validar a cronologia da vida segundo a bíblia)
A Dra. Tamaki Sato ficou um pouco confusa na ala dos dinossauros. Os cartazes descreviam os diversos dinossauros como originários de diferentes períodos geológicos - o estegossauro, do jurássico superior; o heterodontossauro, do jurássico inferior; o velociraptor, do cretáceo superior - , mas em cada um dos casos, a data de extinção oferecida na ficha de informações era a mesma: por volta de 2.438 AC.
Na interpretação criacionista do universo, as camadas de rochas foram todas formadas em um evento único - o dilúvio mundial no qual Deus decidiu limpar a terra de todas as criaturas exceto aqueles que estavam reunidas na arca de Noé - , e portanto todos os dinossauros morreram em 2348 AC, o ano do dilúvio.
Desde que o museu abriu as portas, dois anos atrás, a instituição recebeu 750 mil visitantes (Fonte: Terra)
Num post anterior, eu falo como os cientistas, através descoberta da radioatividade e do avanço da ciência como um todo, conseguiram estimar a idade da Terra em aproximadamente 4,5 bilhões de anos. Os cientistas não inventaram uma data e decidiram convencer a todos sobre isso (como fazem os crentes). Ao contrário. Vários cientistas partiram de diversos pontos e todos convergiram para o mesmo resultado. Ninguém precisou ficar convencendo o outro.
No Museu da Criação, em Petersburg, no norte do Estado do Kentucky, religiosos de má-fé deturpam a ciência e colocam sobre a bíblia um falso manto científico, sobre o qual tentam explicar a cronologia da vida na Terra. O problema com a teoria cristã é que ela não pode ser provada e só existe para os cristãos. Pergunte a um religioso de alguma outra religião e ele lhe dará outra idade para a Terra, diferente daquela da bíblia, e que ele também tem certeza absoluta que está correta. Pergunte a um membro de outra religião e você terá uma resposta diferente para cada uma delas (e todas estarão “absolutamente corretas”). Na outra ponta, pegue uma rocha, entregue a diferentes laboratórios de datação e todos eles sempre encontrarão uma mesma idade. Então, por que a ciência sempre nos dá uma mesma faixa etária para a Terra e as religiões variam tanto? Simples... estas são baseadas na pura crença, na fé, na necessidade de se acreditar num deus.... a ciência se baseia sobre fatos e sobre a própria e verdadeira natureza das coisas. Eis o “milagre” da uniformidade de resultados das medições da Terra.
Mas o que assusta é que milhões, talvez bilhões, de pessoas acreditam nestas palavras escritas há milênios por homens sem a mínima formação científica. Vejamos. Cerca de 51% dos britânicos acreditam que a teoria da evolução não pode explicar a complexidade da vida na Terra, contra 40% que opinam o contrário. Além disso, um em cada três crê que Deus criou o mundo nos 10 mil últimos anos, indica uma pesquisa do instituto ComRes entre 2.060 adultos.
O perigo desta crença esconde-se naquela pequena fenda das instituições religiosas onde rastejam clérigos sedentos de poder, dinheiro e sexo. Pessoas que incitam à barbárie, o terrorismo, a xenofobia, a homofobia, morte aos descrentes, enfim. Além de, naturalmente, atravancar o progresso da ciência, segregar semelhantes, cercear a liberdade de acordo com interesses próprios, etc. Vide o Irã e a luta de seu povo para conseguir mostrar, de dentro de um país isolado pelos líderes religiosos do resto do mundo, a matança que o governo teocrático promove para manter a massa sob controle (em nome de um estado o mais correto possível, de acordo com as leis de Alah). Para assegurar nossa liberdade de expressão, precisamos contar o avanço da religião sobre o poder. Mas isso se torna uma tarefa difícil quando a população é convencida, enganada, submissa e manipulada pelas religiões.
Gnaisse Acasta, rocha mais antiga do mundo com 4,05 bilhões de anos, encontrada no Canadá – clique para ampliar
Zircões (cristais de silicato de zircônio), minerais de 1mm com idade aproximada de 4,4 bilhões – clique para ampliar
Embora a geologia não tenha nada a ver com Charles Darwin, alguns teístas tentam usar de uma lógica canhestra para ligar isso com aquilo. É de uma ignorância e ingenuidade vergonhosa querer desmontar a teoria da evolução a partir da geologia. Primeiro porque, como ciência, a geologia não se dobra ao argumento dos fanáticos de que a Terra possui apenas alguns poucos milhares de anos, conforme a bíblia. Em segundo, a geologia não compartilha da visão mitológica da bíblia. Segundo a geologia, a Terra possui algo em torno de 4,5 bilhões de anos. Mas como isso? Como sabem ou medem a idade da Terra? Como que calculam a idade da Terra?
A geocronologia é a ciência que estuda métodos de determinar o tempo geológico, registrado nas rochas. Segundo o Instituto de Geociências da USP (IGC), um dos métodos mais precisos é o método absoluto, que se utiliza dos princípios físicos da radioatividade e fornece a idade da rocha com precisão. Esse método está baseado nos princípios da desintegração (ou decaimento) radioativa. Desta maneira, o uso desse método, só foi possível depois da descoberta da radioatividade (1896), no final do século XIX. Dentre os elementos químicos existentes, há alguns que possuem o núcleo do átomo instável e são conhecidos como nuclídeos radioativos. Estes elementos, através da emissão espontânea de radiação, se transformam em elementos estáveis (nuclídeos radiogênicos). Dessa maneira o elemento-pai (radioativo) se desintegra emitindo radiação e se transforma no elemento-filho (radiogênico), como o 87Rb quando se transforma em 87Sr.
Há dois pontos importantes que permitem o cálculo da idade absoluta de uma rocha ou mineral:
1) as rochas são formadas por minerais, os quais são constituídos por elementos químicos e alguns desses, por sua vez, são nuclídeos radioativos;
2) o conceito de decaimento radioativo envolve uma constante chamada meia-vida, que é o tempo decorrido para que metade da massa do elemento-pai se transforme no elemento-filho. Essa constante é conhecida e diferente para cada nuclídeo radioativo existente.
Cada grão mineral é um crônometro do tempo geológico, assim que ele se forma, tem início o decaimento radioativo. Sendo assim, determinando-se a quantidade de elemento-pai e de elemento-filho em um mineral hoje, é possível saber há quanto tempo está acontecendo o decaimento radioativo e, portanto quando o mineral se formou. Para realizar esta medição, dissolve-se a rocha até virar pó. O próximo passo é levar os elementos, que agora estão individualizados, em uma outra solução, para um aparelho, que se chama Espectrômetro de Massa, no qual cada elemento separado será medido. Depois, então, os cálculos baseados na meia-vida do elemento radioativo são feitos e a idade da rocha é obtida.
A Terra está em constante mudança. Sua crosta está continuamente sendo criada, modificada e destruída. Como resultado, rochas que registram a história embrionária do planeta não foram encontradas e provavelmente não existem mais. Portanto, a idade real da Terra não pode ser obtida diretamente de material terrestre.
Então como saber que a Terra tem essa idade? Os cientistas presumem que todos os corpos do Sistema Solar se formaram na mesma época, inclusive os meteoritos (provenientes do cinturão de asteróides). Sendo assim, como os meteoritos são corpos extraterrestres que caem na superfície da Terra, eles podem ser datados e sua idade é a mesma da formação do planeta, ou seja, 4,56 bilhões de anos. Esta idade foi determinada, pela primeira vez, por Claire Patterson em 1956, usando os isótopos de chumbo (Pb). A meia-vida do chumbo é, justamente, 4,5 bilhões de anos. Claro, na Terra também há elementos que comprovam sua idade longeva. O registro mais antigo do planeta, determinado em zircões (cristais de silicato de zircônio) contidos em rochas na Austrália, tem 4,4 bilhões (Austrália).
Oras, mas você encontrará na internet os maiores absurdos por parte dos criacionista “provando” que a Terra possui 6000 anos ou por volta disto. O primeiro problema é que, diferente deste blog que você lê, curiosamente ninguém NUNCA foi atrás das fontes de certas baboseiras e as propagam como verdades científicas comprovadas. Vejamos esta “pérola” dos religiosos: “Cristais de zircônio contêm urânio, que ao decair produz hélio. Quando se mede o hélio liberado pelos cristais de zircônio chega-se a apenas 6.000 anos, pois se fossem mais antigos, conteriam menos hélio.”
Quem disse esta asneira foi um “cientista”. Um físico chamado David Russell Humphreys. Mas espere. Além de físico ele é... professor do Institute for Creation Research, trabalha no Creation Ministries International e é da diretoria do Creation Research Society. Pois é. Mesmo de um “cientista”, não podemos esperar muito quando ele guia seus trabalhos por suas crenças ao invés do método científico. O tal “cientista” fez sua teoria em 1995 e desde então não a reavaliou ou criticou sob a luz de novas tecnologias e descobertas. Tampouco divulgou grandes tratados para serem avaliados e criticados pelos cientistas especializados na área. Kevin R. Henke, Ph.D em geologia pela Universidade do Norte de Dakota, faz uma detalhada crítica às idéias absurdas de Humphreys, que desvirtua a ciência para tentar “provar” uma questão de fé, num longo texto: Young-Earth Creationist Helium Diffusion 'Dates' Fallacies Based on Bad Assumptions and Questionable Data.
O “genial” cientista criacionista também citava que ele e seus amigos (criacionistas) encontraram traços de radiocarbono em diamantes. Ora, o Carbono decai numa meia-vida de 6000 anos e não é capaz de datar coisas com mais de 60.000 anos de idade. Se existissem traços de radiocarbono em diamantes poderíamos dizer que os diamantes se formaram há menos de 60.000 anos, e não há milhões ou bilhões de anos, como esperado. Bem... cientistas sérios, efetivamente, nunca encontraram nada nas leituras de radiocarbono! Dr. R. E. Taylor, do Departamento de Antropologia da Universidade de Califórnia, usa diamantes também.... mas apenas para medir a imprecisão (ruídos) dos instrumentos de datação ("Use of Natural Diamonds to Monitor Radiocarbon AMS Instrument Backgrounds.") justamente porque o diamante NÃO possui radiocarbono!
Em outro site cristão, falaram que “amostras da Lua, do Projeto Apollo, foram datadas tanto com o método do Urânio-Tório-Chumbo como Potássio-Argônio. Os resultados apresentaram resultados que variaram de 2 milhões a 28 bilhões de anos de um método para outro”. Bom, novamente não apresentaram fonte alguma. Mas eu vos apresentarei 2 fontes. Uma foi um teste feito em 2005 e outra em 2007 onde os resultados foram bem similares: aproximadamente 4,5 bilhões de anos, através da datação pelo tungstênio-182 de rochas lunares.
Então, lembre-se: a Terra tem sim 4,5 bilhões de anos. Não importa se você acredita nisso ou não. A fé não muda a natureza dos fatos. Conclui-se, por A + B, quantas vezes forem necessárias, que a ridícula idade de 6000 anos é incompatível com a geologia da Terra (e até com a própria história da humanidade, já que pinturas rupestres são mais antigas que isso). Agora... se os teístas virão dizendo que “a métrica de anos para deus é diferente daquela que usamos” e outras desculpinhas para justificar a débil fé, isso já entra no campo da metafísica e não temos como provar o contrário. Mas haja imaginação para inventar essa desculpa, hein?
Mês passado, saiu uma notícia informando que os jovens sul-americanos são mais escolarizados e menos religiosos que seus pais (no Brasil, 14% dos jovens declaram não ter religião, contra 7% dos adultos), mas mantiveram as mesmas posições sobre temas morais e éticos polêmicos, segundo aponta um estudo feito em seis países da região. A pesquisa foi coordenada pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicos (Ibase).
O sociólogo Phil Zuckerman chegou à mesma conclusão após 14 meses na Escandinávia, conversando com centenas de dinamarqueses e suecos sobre religião. Qualquer um que tenha observado um pouco mais sabe que a Dinamarca e a Suécia estão entre os países menos religiosos do mundo. Ambos dividem o primeiro lugar nas listas dos países com melhor expectativa de vida, bem-estar infantil, escolaridade, igualdade econômica, qualidade de vida e competitividade. Apesar de bem documentados, estes dois conjuntos de fatos vão contra à crença de muitos americanos (e religiosos em geral) de que uma sociedade sem muita religião seria, nas palavras de Zuckerman, "de uma imoralidade feroz, repleta de mal e extremamente corrompida".
O sociólogo concluiu que, nestes países, a "religião não era na verdade um assunto tão privado, pessoal, mas, sobretudo, não se tratava de um assunto". Seus entrevistados simplesmente não se preocupavam com isso. Zuckerman enfatiza que seus entrevistados não eram de forma alguma niilistas desesperados, mas "em sua maioria, pessoas felizes e satisfeitas" que "em geral têm vidas produtivas, criativas e contentes”. A religião passou a ser algo algo meramente “cultural”. Basicamente, ela se incorporou no dia-a-dia das pessoas na forma de conceitos de bondade e moral (que já sabemos ser bons sem precisar a recorrer a nenhuma religião).
Em certo ponto, Zuckerman pergunta a Jens, um ateu de 68 anos, sobre as fontes da cultura extremamente ética da Dinamarca. Jens responde: "Somos luteranos em nossas almas - eu sou um ateu, mas ainda tenho as percepções luteranas de muitos: de ajudar nosso semelhante. Sim. É uma idéia moral velha e boa." Mas afinal, como é possível ser ateu e usar de moral religiosa?
Não precisamos da religião para viver, mas sim de conceitos de convivência pacífica e harmônica em sociedade (conceitos que, aliás, já estão bem definidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos). Conceitos esses que também são disseminados pelas religiões, mas não são exclusivos destas. Culpar a falta de religiosidade pelos males do mundo é um contra-senso descabido. Como assim eu só sou bom se tiver uma religião? Quer dizer que só sou bom se temer uma punição e aguardar uma recompensa pós-morte? Isso é patético e só mostra a infantilidade intelectual de muitos religiosos.
Vale frisar ainda a relação escolaridade x religiosidade. Embora muitos cientistas sejam teístas, esta relação é muito diferente entre o povo em geral e a elite intelectualizada. Pesquisas apontam que 90% da população em geral dos EUA acreditam em um deus. Na Academia de Ciências dos EUA, 93% não acreditam em deuses: são ateus. Isso aponta numa única direção: a noção de que deus é um argumento desnecessário para explicar boa parte da vida, sua origem, mecânica e o próprio sentido (que, segundo Dawkins, seria apenas a perpetuação dos genes ad infinitum).
Quando se estuda e se entende, por A mais B, o funcionamento das coisas, as explicações mitológicas e religiosas perdem espaço para as provas e teorias (que são testáveis, falseáveis, replicáveis, etc) que a ciência provê. A própria teoria da Evolução é um exemplo típico. Não precisamos mais de deus algum para entender o processo evolutivo. E podemos usar este conhecimento a nosso favor no desenvolvimento de vacinas, controle de pragas, etc. E não importa se você acredita na teoria da evolução. Tanto quanto a lei de gravidade, ela existe independentemente da sua convicção. Jogue-se de uma ponte e você será atraído para o centro da Terra. Observe espécies ao longo de gerações e verá a evolução ocorrendo, por mais que você não “acredite” nela.
Mas o espaço da religião está garantido. Enquanto houver pessoas incapazes de encontrar um sentido da vida, incapazes de conviver em sociedade sem a noção de que estão sendo observadas e sob pena de punição caso façam algo errado, incapazes de aproveitar a esta vida se ela não tiver uma “continuação”, enfim, enquanto o mundo estiver recheado de pessoas espiritualmente fracas, teremos religiosos, fundamentalistas, missionários, etc. E o mundo sofrerá o despotismo e autoritarismo, além do abuso físico, mental, espiritual e financeiro, típico daqueles que sempre usaram e usarão a religião como instrumento de manipulação social: os altos sacerdotes.
Vírus influenza A sob microscopia eletrônica (clique para ampliar)
Durante a histeria coletiva propagada e criada pela mídia, resolvi me calar sobre a tal de Gripe Suína. Por quê? Simples. Nem mesmo os especialistas tinham muito o que dizer naquela época. Então, de onde os jornalistas inventaram meses e toneladas de matérias a respeito? Lugar nenhum. Repetiam as mesmas coisas de sempre, cada vez de uma forma mais assustadora, como se estivéssemos presenciando o fim da humanidade, para vender mais.
Hoje, com muito mais informações apuradas e comprovadas a respeito, arrisco-me a compilar uma série de explicações a respeito desta gripe, porque ela não é grave assim, porque não precisamos nos preocupar tanto assim, enfim, mostrar que ela é uma gripe comum (e até mais branda). Diferente de outros posts, de forma a ser bem direto, decidi redigir este na forma de uma série de perguntas, para que você vá direto ao ponto que lhe interessa. Como de costume, os links com as fontes estão ao longo da matéria. Nada do que você lerá aqui foi inventado, e sim, compilado de sites médicos, especialistas, ou informações divulgadas para a imprensa pelos órgãos competentes. (clique aqui para ler o post completo)
É uma doença respiratória causada por uma variação do vírus influenza tipo A, conhecido como H1N1. O H1N1 é a mesma variedade de vírus que causa epidemias sazonais de gripe regularmente em humanos. Mas esta última versão do H1N1 é diferente: contem material genético que é encontrado, tipicamente, em variações do vírus que afetam humanos, aves e suínos.
Vírus de gripe têm a habilidade de trocarem seus componentes genéticos entre eles, quando entram em contato próximo no mesmo hospedeiro. Neste caso, porcos podem ter fornecido o local ideal para criar a nova variedade do vírus (veja o local onde o vírus deve ter surgido – pergunta 7)
Mas apesar da variedade do vírus poder ter se originado em porcos, agora a doença é totalmente humana e pode se propagar de pessoa para pessoa através de tosse e espirros.
O vírus da gripe suína pode ter passado por anos de evolução e se multiplicando silenciosamente antes de aparecer e virar notícias de primeira página no mundo todo. Conforme o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA e Rebecca J. Garten que estudou muitas amostras da nova versão do vírus H1N1 e que com a análise, diz que ele não tem as características necessárias para virar um assassino planetário. (Fontes: BBC e G1)
O motivo para não sermos imunes ao influenza A depois de uma gripe é que o vírus muta muito. Dois fenômenos são importantes, o drift, onde o vírus acumula pequenas mutações nos genes H e N, suficientes para no ano seguinte nosso sistema imune não reconhecer o vírus. Mais importante (e mais frequente do que se imaginava) é o shift. O shift acontece quando dois influenza diferentes entram na mesma célula e ao saírem misturam seus cromossomos, e dos oito pedaços que levam, alguns são do vírus x e outros do y. Quando isso acontece, o vírus muda abruptamente e nosso sistema imune fica completamente despreparado. É o que faz com que vacinas falhem. Na verdade, existe um atraso entre coletar o vírus e produzir a vacina, de maneira que todo ano temos que estudar o vírus e tentar prever qual vai ser a forma mais importante na epidemia. Além do mais, o vírus pode se modificar e tornar-se mais letal. Mas esta é uma possibilidade remota. As maiores epidemias recentes de gripe ocorreram quando houve rearranjo entre o vírus humano e o vírus aviário, como na gripe asiática de 1957 (H2N2) e Hong Kong 1968 (H3N2). o vírus da gripe espanhola, é H1N1 e aparentemente saltou direto dos patos para o ser humano, sem rearranjo. Quem intermedia o rearranjo, contraindo o vírus humano e aviário? Os porcos e galinhas. (Fontes: Biólogo Atila Iamarino)
A Organização MNundial da Saúde (OMS) divulgou nesta segunda-feira (22) um novo boletim sobre os casos da gripe suína no mundo. Segundo a agência da ONU, há hoje 52.160 casos da doença e 231 mortes - 51 a mais do que o último balanço divulgado na sexta-feira (19). Para efeito de comparação, uma gripe normal mata, só nos EUA, aproximadamente 30.000 pessoas.
Ou seja, atualmente, a gripe normal tem um taxa de mortalidade menor que 0,1%. Este percentual é atingido dividindo-se o número de mortes pelo total de casos confirmados. Segundo a contagem mais recente (22/06/09), há 52.160 casos para 231 mortes. Logo, para a gripe suína temos uma taxa de mortalidade de apenas 0,004% (ou seja, até o momento, a gripe suína é TRINTA VEZEZ MENOS mortal que a gripe normal).
Para efeito de comparação, a taxa de mortalidade da gripe aviária (esta sim, muito grave), passa dos 60%. A gripe espanhola, de 1918, era de 2%. O vírus ebola é um dos mais letais conhecidos, atingindo taxas de mortalidade de mais de 90%.
O atual subtipo de gripe suína não possui diversos genes aos quais se atribui aumento de letalidade, incluindo aqueles capazes de codificar para duas proteínas conhecidas como PB1-F2 e NS-1, e outro que codifica para um trava-língua chamado “local de segmentação de hemaglutinina polibásica”. (Fontes: G1, G1, WSJ, MD Saúde)
O quadro clínico da gripe suína é muito semelhante ao da gripe comum, com febre, dor de cabeça, tosse, dor de garganta, dores musculares. A única diferença é que pode ocorrer também diarréias e vômitos,o que é pouco comum na gripe simples. Nas crianças pequenas e nos idosos, grupo de risco para as complicações, os sintomas podem ser menos típicos, ocorrendo apenas febre e letargia. A febre é o sintoma mais importante para o diagnóstico. Se não há temperaturas maiores que 37,5C praticamente exclui-se o diagnóstico de gripe suína. (Fonte: MD Saúde)
Muitos doentes se recuperam sem nenhum medicamento específico. Combate-se os sintomas, mantêm-se em repouso e pronto. Para alguns outros, pode ser administrado o famoso “Tamiflu”. Mas para entender como funciona o tamiflu, precisamos saber como é feito um virus da gripe, o influenza.
Existem 3 tipos de influenza, o vírus que causa a gripe, o A, B e C. O influenza A é o mais variável e que causa mais estragos todos anos. Ele tem 8 pedaços de RNA (RNA mesmo, não é DNA) dentro de uma cápsula. Duas proteínas deles são mais importantes para entendermos. Uma é chamada de Hemaglutinina, fica do lado de fora do vírus e serve para fazer contato com a célula. Como ela se liga em células, quando o colocam o vírus em uma gota de sangue, os glóbulos vermelhos ficam aglutinados (hemo aglutinina, hemaglutinina). A outra é a Neuraminidase, ela quebra os açúcares onde a hemaglutinina se liga para liberar os vírus recém formados.
Como a hemaglutinina e a neuraminidase ficam para fora do vírus, são as proteínas mais reconhecidas por anticorpos e usadas nos testes de diagnóstico. Por isso as linhagens de influenza são nomeadas pelas letras HN, como H1N1, H3N2, de acordo com o tipo de cada uma.
O principal ingrediente activo em Tamiflu, Oseltamivir, funciona ligando-se à enzima neuraminidase na superfície das partículas virais, impedindo-a de funcionar. Quando a enzima é impedida desta forma, novas partículas virais não serão libertadas pelas células infectadas. Isto previne que o vírus da gripe se propague e infecte novas células. Oseltamivir confina, deste modo, a infecção a uma área menor, fazendo com que os sintomas da infecção sejam menos graves e facilitando o trabalho do sistema imunitário para combater o vírus. Tamiflu reduz a duração da gripe em aproximadamente 1 dia a 1 dia e meio e diminui o risco de desenvolvimento de complicações originárias da gripe, como infecções do peito que necessitem de antibióticos. (Fontes: Biólogo Atila Iamarino, Meds4All)
Nesta animação acima, em inglês, podemos ver somo o vírus se espalha. Vejamos, você inspira ou traz o vírus para dentro do seu corpo de alguma forma (toca a boca, o nariz, com as mãos infectadas – daí a importância de se lavar e deste ser um dos modos mais eficientes de evitar de pegar o vírus). O vírus entra nos pulmões e começa a infectar célular. Para tal, o vírus “se gruda” nas células saudáveis e a usa para fabricar réplicas de si mesmo. Quando a célula saudável fica muito cheia de vírus, ela explode e todos aqueles novos vírus continuam se espalhando e infectando células vizinhas.
Neste espaço de tempo, nosso corpo já percebeu que há um intruso e um batalhão de células-branca se dirigem ao local para combater o vírus. Inicia-se uma luta entre células de defesa e vírus. Macrófagos vêm em nossa defesa e fagocitam (englobam e “digerem”) o vírus. Após isso, o macrófago pega partes do vírus, chamadas antígenos, e informa outras células de defesa, as T-Helpers, sobre como identificar o vírus e ajudá-lo a matá-los.
As células T-Helper se dividem em células T-Killer e células T-Helper de Memória. As células T-Killer reconhecem os antígenos do vírus em células infectadas e passam a destruí-las. As células T-Helper de Memória, se lembram do vírus por um bom tempo, de modo que o corpo consiga reconhecer rapidamente quando este vírus aparecer de novo no corpo.
As células T-Helper ativam outras células de defesa, chamadas células “B”, ou linfócitos. Elas células se lembrarão do vírus e serão aquelas que irão produzir o tão famoso “anticorpo”, que é capaz de destruir alguns vírus ou de agrupá-los, de forma a facilitar o trabalho do macrófago (o verdadeiro exterminador de corpos estranhos). Após o vírus ser destruído, os anticorpos permanecem circulando no corpo por um bom tempo, o que permite que seu corpo destrua o vírus da próxima vez muito mais rapidamente, talvez, sem você nem perceber que foi infectado.
Aliás, assim explica-se a vacina. A vacina nada mais é do que uma injeção de vírus que não podem se replicar. Ainda assim, o corpo irá combatê-los e tudo isso o que você viu (e leu) irá proceder. O corpo passará a reconhecer aquele vírus facilmente. Então, quando ele entrar no seu corpo, antes mesmo de conseguir infectar muitas células, como o corpo já o reconhece, ele será destruído rapidamente e você não ficará doente.
No outro vídeo abaixo, podemos ver um macrófago em ação, “comendo” um invasor.
A pandemia se iniciou em La Gloria, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das granjas Carroll, subsidiária da Smithfield Foods. O paciente zero foi o menino de 4 anos Edgar Hernandes, provavelmente seu organismo foi plataforma para a alteração do vírus que se tornou “mais humano”. Em dezembro do ano passado já havia sido constatada um gripe desconhecida que se espalhava rapidamente.
Os moradores de La Gloria - muitos deles trabalhadores da Carroll - não têm duvida, o criatório de porcos que produz 1 milhão de porcos por ano. Segundo as informações as fezes e urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, de cor avermelhada, a céu aberto onde nuvens de moscas sobrevoam. Ao lado das lagunas de oxidação encontram-se os chamados biogestores, onde são jogados os porcos mortos por doenças ou ferimentos. A putrefação é uma fonte de contaminação e proliferação das moscas que, empurradas pelo vento, chegam até La Gloria e invadem as casas. Seriam elas os vetores iniciais do A(H1N1): teriam entrado em contato com os porcos e/ou dejetos e possivelmente infectado os alimentos nas casas.
As granjas Carroll que haviam sido expulsas dos EUA por danos ambientais se alocou no México e além de poluir os lençóis freáticos da região (uma vez que fica acima no terreno) utiliza antibióticos, hormônios antivirais e sofrem alterações genéticas para aumentar a produção. Essas medidas tornam os vírus cada vez mais resistentes e qualquer mutação que favoreça a contaminação em seres humanos terá (e está tendo) serias conseqüências. (Fontes: Wikipedia, Vermelho)
É um vírus novo e incomum. A maioria dos vírus da gripe possui dois elementos genéticos, mas o H1N1 possui quatro: dois tipos de gripe suína, um de gripe aviária e alguns genes humanos de gripe, disse o Dr. Neil O. Fishman, especialista em doenças infecciosas da Universidade da Pensilvânia. O vírus também mostrou ser capaz de infectar rapidamente muitas pessoas, como fez numa escola no bairro do Queens, em Nova York.
É um precedente histórico que alimenta a maior parte das preocupações atuais. Na pandemia de 1918 (gripe espanhola, que matou mais de 50 milhões de pessoas), o vírus era relativamente brando quando aparece pela primeira vez na primavera. Porém ele voltou com tudo durante o outono. “Isso é o que deixou muitos peritos assustados”, disse Fishman. “Quando ele retorna, existe a possibilidade de ser mais virulento."
Há ainda um grande problema com as gripes. Facilmente transmissíveis, elas podem resultar numa alta taxa de morbidade, ou seja, as pessoas precisam ficar em casa ou nos hospitais para se recuperarem. Para as empresas, isso significa funcionário sem trabalhar e, conseqüentemente, menor produtividade e menos lucros. O problema financeiro também é muito sério, muitas vezes mais do que a mortalidade da doença em si, que é baixa. Vejamos alguns pontos:
Só a gripe causa para as Empresas, prejuízos de 3,5 bilhões de dólares anuais com faltas e internações de funcionários;
A vacinação contra a gripe resulta na economia de 50 dólares por funcionário ao ano pela diminuição do absenteísmo;
O Banco Mundial estimou em 2008 que uma pandemia de gripe poderia custar 3 trilhões de dólares e resultar numa queda de aproximadamente 5 pontos porcentuais no crescimento do PIB mundial. O Banco Mundial estimou que mais de 70 milhões de pessoas poderiam morrer no mundo em decorrência de uma epidemia séria;
O grupo independente de intelectuais australianos do Instituto Lowy de Política Internacional estimou em 2006 que no pior cenário, a epidemia de gripe poderia limar 4,4 trilhões de dólares da produção econômica global;
Dois relatórios nos Estados Unidos em 2005 estimaram que uma pandemia de gripe poderia causar uma séria recessão na economia norte-americana, com custos imediatos entre 500 e 675 bilhões de dólares;
Um estudo, do Serviço de Orçamento do Congresso, afirmou que hospitais teriam dificuldade em controlar infecções e que poderiam se tornar fontes de disseminação da doença;
Um segundo estudo da WBB Securities LLC de Nova Jersey prevê em um ano perdas econômicas de 488 milhões de dólares e um prejuízo econômico permanente de 1,4 trilhão de dólares à economia dos Estados Unidos;
Em 2003 o surto de gripe aviária afetou viagens, comércio e locais de trabalho e custou 40 bilhões de dólares à região da Ásia Pacífico. O surto durou seis meses e matou 775 das 8.000 pessoas infectadas em 25 países.
Na verdade, a gripe em si não causa tantas mortes. Vale lembrar, ainda, que mesmo no caso de gripe suína, os pacientes têm se recuperado sequer sem tomar medicamentos, apenas com repouso. Mas problemas secundários emergem quando o corpo fica debilitado e são estes quem causam mais mortes. Há ainda outro problema que se apresenta em corpos saudáveis onde, por incrível que pareça, um sistema imunológico forte pode acabar matando o enfermo. Vamos explicar.
Segundo Michael Osterholm, diretor do Center for Infectious Disease Research And Policy, pessoas mais jovens e saudáveis podem morrer quando ocorre uma “tempestade de citocinas” no corpo. Citocinas são um extenso grupo de moléculas envolvidas na emissão de sinais entre as células durante o desencadeamento das respostas imunes. Aparentemente, o problema é esse. O sistema imune não responde corretamente ao vírus, e desencadeia uma inflamação exagerada dos pulmões, que ficam cheios de macrófagos, neutrófilos, incham e se enchem de fluídos (entenda como funciona a “batalha” entre células brancas e o vírus – pergunta 6). O paciente morre praticamente afogado.
Num texto do Ecce Medicus, há uma explicação sobre as diversas complicações da gripe. Segue a íntegra do texto:
1)Pneumonia -- A maior complicação da gripe é a pneumonia, que ocorre em grupos de risco como àqueles portadores de doenças crônicas. Os grupos de risco são:
* Pacientes com doenças cardiovasculares e pulmonares * Pacientes com diabetes mellitus, doença renal, hemoglobinopatias, ou imunossupressão de qualquer causa * Pacientes institucionalizados (casas de repouso, penitenciárias, etc) * Indivíduos acima de 50 anos
Há dois tipos de pneumonia (principal causa de mortes secundárias): Primária e Secundária. Pode também haver a coexistência das duas infecções.
Pneumonia Primária por Influenza -- Ocorre quando o vírus da influenza diretamente infecta o tecido pulmonar, causando um quadro inflamatório (chamado de pneumonite) muito grave (para um mecanismo de lesão pulmonar ver esse post). Febre alta, dispnéia, e progressão rápida para insuficiência respiratória são a regra.
Pneumonia Secundária Bacteriana -- Como toda vó sabe, uma gripe mal-curada pode se "transformar" em uma pneumonia. A pneumonia bacteriana secundária a uma infecção prévia por vírus da influenza é responsável por 25% (em um estudo) de todas as mortes associadas à gripe [2]. Na verdade, há um sinergismo maléfico entre o vírus e o pneumococo (principal bactéria causadora da pneumonia - 48 % dos casos). O quadro clássico é a exacerbação da febre e dos sintomas respiratórios após uma melhora inicial, associado a tosse com expectoração muco-purulenta e alterações radiológicas.
2)Miosite e rabdomiólise -- Esses termos referem-se a inflamação muscular e necrose (morte celular) da fibra muscular, respectivamente. É uma importante complicação da gripe, mais comum em crianças. As dores pelo corpo, que são chamadas de mialgias, são sintomas de inflamação muscular. Uma lesão muscular grave pode levar a insuficiência renal. Há relatos de que o músculo cardíaco também pode ser afetado assim como o pericárdio.
3) Envolvimento do Sistema Nervoso Central -- Várias doenças do sistema nervoso podem estar associadas à infecção pelo vírus da gripe. Entretanto, uma relação causal ainda não foi totalmente estabelecida. Encefalite, mielite transversa, meningite assética, Sindrome de Guillain-Barré (uma paralisia progressiva) estão entre as possíveis doenças associadas.
Segundo o CDC, o uso de máscaras provê uma proteção muito limitada. Isso porque elas não foram feitas para isolar completamente o ar que é respirado. Um conjunto de recomendações é o que garante uma menor probabilidade de contrair a doença. Vejamos:
Usar máscaras cirúrgicas descartáveis durante toda a permanência em áreas afetadas;
Substituir as máscaras sempre que necessário;
Ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e a boca com um lenço, preferencialmente descartável;
Evitar locais com aglomeração de pessoas;
Evitar o contato direto com pessoas doentes;
Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal;
(na foto acima, Estevam Hernandes e Sônia Hernandes. Um marketeiro que, de repente, descobriu que era apóstolo de deus. E não é que, de repente, também descobriram que é ladrão?)
No post “Respeitar as religiões? Eu não, obrigado”, há alguns comentários que merecem um novo post sobre o assunto. Um tal de “Távio” apoiou um tal de Rudson (o uso de “um tal de” não é para ofender, e sim apenas porque não posso comprovar a identidade de quem escreve) nos comentários do post.
Rudson diz que precisamos de religião, misticismo, mistério, deuses, pirâmides e toda a sorte de invencionices místicas. Távio o apóia. Eu apoio Rudson, mas apenas em parte. Não deveríamos precisar de nada disso para vivermos. Deveríamos ser fortes e nos apoiar na idéia de que, talvez, não haja nada depois daqui. Morremos e pronto. Fim. Darwin ganhou. Somos apenas um amontoado de moléculas encontrando uma forma de se perpetuar. Mas Rudson está certo de que o equilíbrio é inerente a qualquer parte do universo. Se existe o bem, precisa existir o mal. Se há luz, precisamos das trevas. Se há ateus, sempre deverão existir crentes.
Então, qual o problema se deveremos conviver com isso? O problema está no uso da religião enquanto instrumento de manipulação, usurpação e do cerceamento da liberdade de pensamento e expressão das pessoas. E como assim eu deveria respeitar? Como nota bem Richard Dawkins em seu livro, “Deus, um Delírio”, há um véu de proteção em torno da religião. Ninguém pode falar mal de nenhuma, nem criticar e muito menos zombar. Mesmo alguns ateus e agnósticos não costumam se arriscar no terreno da crítica à religião (não é religiosidade, meus caros, é RELIGIÃO).
A religião está aí, como outra manifestação de pensamento qualquer, e é passível de críticas, zombaria e até mesmo de repressões, como no caso de Justiça do Brasil, um país laico, que ordenou que um hospital realizasse a transfusão de sangue em um paciente, mesmo contra a vontade dos pais, Testemunhas de Jeová. O juiz baseou-se no artigo 5º da Constituição Federal que, apesar de assegurar o direito à liberdade de crença, prevê o direito à vida, que, segundo o magistrado, antecede o de liberdade religiosa. Está aí. Pais iam deixar o filho morrer por uma crença que não passa disso: uma crença em algo que não se pode provar.
Por fim, peço encarecidamente, e novamente, a todos os leitores deste blog e de outros canais: se informem. Quando você for falar com um ateu de verdade (ou seja, instruído), não é uma boa conduta lançar pérolas baseadas em crendices e muito menos atacar ou tentar evangelizar o ateu em si. Não precisamos da pena ou da redenção de nenhum deus (egípcio, cristão, grego, sumério, etc), não temos carências afetivas maiores que as de um ser humano comum, não acreditamos no seu “fogo do inferno”, no seu “diabo” e nem fazemos isto ou aquilo de bom (ou deixamos de fazer o ruim) por medo de punição ou na espera de uma recompensa. É preciso ser responsável e ter uma ampla noção de como viver em sociedade para ser livres como nós, ateus. Coisa que uma pessoa que julga que o mundo precisa de religião, decerto, ainda não tem.
Estava demorando para aparecer. Mas finalmente teremos um filme dedicado a um homem brilhante e que mudou o modo pelo qual entendemos a vida. Creation é o nome do filme, já com trailer oficial, que contará a história e obra de Charles Darwin. Segundo o site de filmes, IMDB, a data de lançamento é dia 25 de Setembro no Reino Unido. Confira abaixo o trailer do filme.
Os números oficiais da Operação Saturação da Polícia Militar em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, são chocantes. De acordo com a Prefeitura, moram 60 mil pessoas no bairro. Durante pouco menos de três meses de operação, entre 4 de fevereiro e 26 de abril, 400 policiais em 100 viaturas e um helicóptero, com 20 cavalos e 4 cachorros, aplicaram 51.994 revistas a moradores do bairro.
De acordo com a polícia, no balanço da operação constaram 93 flagrantes, captura de 61 procurados, 31 armas e 9,9 kg de cocaína apreendidos. Mas o saldo final vai além: sobrou raiva, humilhação, revolta, indignação que ninguém ainda é capaz de dizer o que isso de fato pode significar para a cidade. Seguem alguns relatos da operação policial:
Auxiliar administrativa em uma empresa de telefonia, Gisele Cristina dos Santos, de 28 anos, teve o barraco invadido seis vezes pela polícia. Em nenhuma delas havia autorização judicial. Na primeira, um domingo de manhã, ela, marido e seis filhos, crianças de 1 a 12 anos, estavam em casa. O marido esticava um novo varal e chamou a atenção dos policiais por causa de uma tatuagem. Perguntaram se ele tinha "passagem". Ele informou que estava sob condicional, mas não devia na Justiça. Os policiais chutaram o portão e invadiram o quintal perguntando por drogas. Em seguida, entraram na casa e rasgaram o sofá. O pai apanhou na frente dos filhos.
Quando viu o movimento de policiais na viela em que mora, Antonio, de 13 anos, entrou em casa correndo. Os policiais o seguiram. Dentro de casa, Antonio teve a arma apontada para cabeça. "Por que estava correndo? Onde é a boca?", perguntava um deles, enquanto o estapeava. Outro policial revistava a casa. Antônio, que aparenta 10 anos, estava sozinho com o irmão, de 9. Os dois choravam muito. "Cala a boca vacilão. Vamos levar você para um quartinho escuro na Febem", ameaçava o policial.
Sílvio de Moraes Pereira, de 21 anos, quer ser tatuador. Tem piercings, sobrancelhas cortadas e tatuagens. Fez estágio na Galeria do Rock. Andava pela viela às 8 horas da manhã quando foi abordado e obrigado a tirar a roupa e ficar de cueca. Sentou em cima da mão e o acusaram de trabalhar no tráfico. Ele negou a ligação. Os seis homens perguntaram se ele teria coragem de levá-los à sua casa. Pereira topou. Jogaram o jovem em cima da cama e ele apanhou em rodízio: um dava socos na cara, outros nos rins e todos chutaram ao mesmo tempo com coturnos de bico de ferro, quando ele caiu no chão. Com medo de novas represálias, acabou se mudando.
Eis a polícia do "excelentíssimo" governador José Serra (e o sanguinário ainda está à frente da corrida presidencial!). Olhem as fotos. Não há símbolo melhor para exprimir a desigualdade social. Não há meios melhores de explicar a causa da violência do que estas fotos. O que você acha que pensam os moradores daqueles luxuosos prédios? Vamos votar no homem que coloca a polícia em cima daqueles “animais lá de baixo”. Eis a fórmula para a perpetuação da violência.
Repressão não funciona para sempre. Não adiantou NADA, absolutamente NADA as operações policiais. Tudo o que foi apreendido já foi recuperado por bandidos. Mas é esse show, esta humilhação, este teatro do “bem derrotando o mal” é o que agrada aos moradores milionários. A polícia sai, mas e o social? E as escolas que são necessárias? Postos de saúde? Áreas de lazer? Nada. Não é isso que os loiros e madames “à lá Daslu” querem ver. Eles querem ver aquele negrinho sendo algemado. Querem ver policial cinematográfico, arrombando porta de barraco, gritando e aterrorizando. É como uma vingança da elite contra os marginais. Marginais? Quem está à margem da sociedade aqui é a elite. Este menos de 1% de brasileiros vivem num outro Brasil. Os brasileiros mesmo estão numa outra realidade, muito mais dura e sofrida.
Mas votemos no José Serra e sua corja direitista repressora. Vamos tirar ainda mais dos pobres para dar aos ricos, segregar ainda mais o que já estão segregados, e torcer para que isso aqui não exploda.